O senador Rogério Carvalho, líder do PT, afirmou em Plenário nesta última segunda-feira (17)  que a preocupação excessiva com a redução das despesas públicas fez aumentar a desigualdade na sociedade brasileira. Ações recentes, segundo ele, motivaram, direta ou indiretamente, a elevação da extrema pobreza no país.

Uma delas foi o fim da política de valorização do salário-mínimo, apontou ele, ao lembrar que 50 milhões de brasileiros têm seus salários vinculados ao mínimo definido pelo governo. A redução da massa salarial pode agravar o desempenho da economia, por causa da redução do consumo, explicou o senador.

A reforma trabalhista também provocou a redução salarial, uma vez que a contratação na modalidade intermitente, por meio da qual o empregador somente paga pelas horas de serviço efetivamente trabalhadas, também reduziu o valor dos salários, explicou ele.

As mudanças nas regras de aposentadoria, com o cálculo do benefício levando em conta todos os salários de contribuição, também, em um curto prazo, irá reduzir o valor de aposentadorias e pensões, o que pode também provocar o aumento da desigualdade social, lembrou o senador.

— Nós acompanhamos onde vai dar esse tipo de concentração de riqueza, esse tipo de diminuição da presença do Estado na mediação e na distribuição desses recursos. Vai dar no que aconteceu no Chile. O que aconteceu no Chile? A saúde foi privatizada, a previdência foi privatizada, a educação foi privatizada. Tudo bem, a população passou a ganhar um pouquinho mais, mas não conseguia ter acesso a nenhum serviço público, aumentando a concentração de riqueza e aumentando as desigualdades sociais — disse.

Por fim, Rogério Carvalho citou mudanças em programas sociais importantes para garantir a dignidade das pessoas mais pobres. Essas alterações podem, indiretamente, provocar a redução da renda, disse o senador, ao reclamar da demora na inclusão de novos beneficiários no Bolsa Família e a falta de investimento na faixa destinada às famílias de baixa renda no programa Minha Casa, Minha Vida.

 

Fonte: Agência Senado

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