Em Itabira, o Ministério Público Eleitoral, através da Promotora Eleitoral Gislaine Reis Pereira Schumann, que atua na fiscalização das eleições daquela Comarca, apresentou nessa quinta-feira ao Juiz Eleitoral pedido de instauração de Investigação Judicial Eleitoral contra os candidatos a prefeito Ronaldo Lage Magalhães e o candidato a vice-prefeito de sua chapa, Gustavo Milânio e ainda contra o candidato a vereador Domingos de Sena Fernandes, por abuso de poder por utilização da fé religiosa, manifestado pela utilização, pelos citados candidatos, do culto que se realizava na Igreja Mundial do Reino de Deus no dia 08 de Novembro &uacut e;ltimo, para naquele espaço, com a ajuda do pastor que oficiava a celebração, pedir voto para sua chapa. Uma pessoa, de nome Franklin Acácio, que lá se encontrava para orar, segundo declarado na peça de denúncia do MP Eleitoral, incomodado com a utilização de um culto religioso para servir à campanha eleitoral, fotografou o momento em que o candidato pedia o apoio e voto à sua candidatura, com a participação do pastor. Além da utilização do altar da igreja para fazer campanha, os crentes presentes foram “convidados” a colocar no peito um botton de propaganda da chapa.

Ronaldo Magalhães, que disputa a reeleição para prefeito,  já estivera na mesma igreja, em igual ato nas eleições de 2016, conforme declarado pelo denunciante, Franklin Acácio; visto que fotografava o momento, alguns membros da campanha de Ronaldo tentaram tomar-lhe o celular, exigindo ainda que ele apagasse as fotos gravadas. Franklin aproveitou-se de um descuido dos que o ameaçavam e retirou-se do local, cuidando de levar à Promotoria Eleitoral o registro do que presenciara.

A Promotoria Eleitoral, além da Investigação Judicial, requereu ao Juiz Eleitoral que fosse suspenso para posterior cassação, o registro da chapa de Ronaldo Magalhães e seu vice, Gustavo Milânio, além, ainda, do registro da candidatura a vereador de Domingos de Sena Fernandes, todos acusados de abuso por se valerem da fé religiosa dos fiéis e obreiros presentes para lhes pedir apoio e voto. “Tal conduta representa um retrocesso ao indesejável voto de cabresto”, declarou na petição a promotora requerente, Dra. Gislaine Reis Pereira Schumann, reforçando o atraso político que tais práticas imprimem nos processos eleitorais. Ainda na sua petição, a representante do Ministério Público Eleitoral cita como jurisprudência decisão que cassou os direitos políticos de dois candidatos que se valeram da mesma prática, em histórico voto assinado pela à época Ministra do Tribunal Superior Eleitoral, Rosa Weber. Pelo voto da Ministra, seguido pelos seus pares do TSE, os denunciados perderam seus direitos políticos por 8 anos. A mesma Igreja Mundial do Reino de Deus foi a utilizada à época para o que o TSE considerara uma fraude, por notório abuso da fé e da crença devotada pelos fiéis à sua igreja. Qualquer que sejam os resultados das eleições, Ronaldo Magalhães e seu vice, Gustavo Milânio, além de Domingos Fernandes podem ficar inelegíveis pelos próximos oito anos.