Em meio aos rumores de privatização da CeasaMinas, profissionais atuantes no local reclamam de abandono e descaso que o entreposto tem sofrido nos últimos anos. Considerada uma das maiores estatais de abastecimento do país, o centro que possui importância econômica, social e financeira para o Estado, não tem recebido manutenções básicas, como troca de iluminação, tapamento de buracos ou ajustes nas estruturas.

De acordo com uma Carta Aberta, redigida por Ideraldo de Souza Viana, ex funcionário administrativo da CeasaMinas, e entregue aos cidadãos e órgãos relacionados, o local tem enfrentado uma gestão arbitrária e abusiva da atual diretoria, composta por Guilherme Caldeira Brant e Juliano Maquiaveli Cardoso. “Lamentavelmente, estes cidadãos não têm nenhum compromisso ou identidade com a comunidade ceasense. Eles perseguem produtores, empresários, terceirizados, funcionários, entidades, etc. Existem empresas no entreposto amarradas em sua continuidade por indecisão e capricho da diretoria”, explica.

Ideraldo de Souza que já foi orientador de comercialização e hortigranjeiro do centro, afirma que por intransigência da atual diretoria, grandes empresas estão abandonando a CeasaMinas, como o EPA Supermercados, Megafort Atacadista e Distribuidora, NL Frutas e Legumes, dentre outras. “Nunca tantas empresas ingressaram em juízo contra a CeasaMinas como nesta gestão autoritária e ditadora da diretoria”, completa. A relação de processos físicos e eletrônicos estão disponibilizadas no site do TJMG*.

Ainda de acordo com a Carta Aberta, é possível provar que empresas foram lesadas pela diretoria da CeasaMinas. Como a Atlantix Consultoria e Comércio em Tecnologia da Informação LTDA e a Amaral.com Comércio de Alimentos LTDA, que tiveram seus processos licitatórios suspensos, mesmo após as aprovações. E também negou a alteração contratual da empresa PC Rodas, Pneus e Serviços LTDA - ME para DDM Distribuidora LTDA - ME.

Atualmente, a CeasaMinas em Contagem abriga 525 empresas. São 10 mil produtores atendidos, com 40 mil clientes diretos e 8 milhões de clientes indiretos em Minas. No total, são comercializadas cerca de 2 milhões de toneladas de alimentos por ano. Estimasse que pelo menos 80% dos alimentos consumidos diariamente em Belo Horizonte e região são oriundos da estatal. São movimentados mais de 4 bilhões de reais por ano. Números significativos que de acordo com o Ideraldo de Souza, demonstra a grandiosidade do entreposto e a necessidade de “não permanecer sujeito aos caprichos e perseguições dos atuais diretores”. 

A má gestão da CeasaMinas, tem resultado em um custo operacional muito elevado para as empresas e comerciantes, que pagam altos valores para permanecerem no local e não recebem serviços de qualidade. No entreposto, os serviços são precários, falta limpeza, segurança, manutenção, entre outros serviços básicos. “Tem dez anos que eles não trocam as telhas do MPL, basta chover para que esse lugar fique inundado pela quantidade de goteira”, reclama Manoel Ribeiro Neto, produtor rural que há mais de 40 anos comercializa na Ceasa.

Membro da Associação dos Produtores de Hortifrutigranjeiros das Ceasas do Estado de Minas Gerais (APHCEMG) e produtor rural, que preferiu não se identificar por medo de represálias, explica que a atual gestão da CeasaMinas não condiz com o que os produtores, comerciantes e trabalhadores esperam. “Parece que os administradores não trabalham, tudo aqui deixa a desejar. Não tem manutenção adequada, as obras não terminam e quando vamos reclamar e exigir que os funcionários exerçam suas funções, somos perseguidos”, afirma. Ele ainda sugere que toda a diretoria e demais administrativos deveriam ser trocados. “A CeasaMinas não tem que ser comandada por políticos, não é político quem deveria indicar os gestores e sim, as associações aqui presentes, os produtores que estão diariamente aqui, trabalhando de verdade”, reflete o produtor.

Os comerciantes locais também queixam da falta de transparência nos contratos e das deficiências dos serviços prestados. Segundo o membro da APHCEMG, o local possui uma numerosa equipe de assessores, que ocupam cargos de confiança e recebem fortunas mensalmente, mas que ninguém é capaz de dizer o que realmente produzem. “O que mais tem na Ceasa hoje, são cabides de empregos, funcionários ocupando cargos imaginários, desnecessários e não fazendo nada pelo local. O governo não deve mais administrar o entreposto, temos que nos mobilizar para que a categoria operacional consiga assumir a gestão, seguindo o rumo da privatização”, explica. 

 

Fique por dentro!

Guilherme Caldeira Brant ingressou na estatal em 2014, e antes de se tornar presidente do CeasaMinas, foi secretário executivo. No início do ano passado, para que continuasse na presidência, ele contou com o apoio do deputado federal Newton Cardoso Jr. (MDB-MG) que articulou sua permanência junto com auxiliares do Planalto. Por sua vez, o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) conversou com membros do governo federal para que Juliano Maquiaveli Cardoso se mantivesse na diretoria e algumas outras manutenções fossem realizadas.

A Ceasa é uma empresa de economia mista do governo federal, sob a supervisão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.