Ontem, domingo (1), foi celebrado o Dia Mundial de Luta contra a Aids, data que tem como objetivo conscientizar toda a sociedade sobre a doença, sua prevenção, tratamento e enfrentamento ao preconceito.

“Infelizmente, após 30 anos do primeiro caso, o HIV/aids continua a registrar casos, além do estigma e preconceito que predominam sobre as pessoas acometidas pela doença”, analisa a coordenadora de IST/Aids e Hepatites Virais da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), Mayara Marques de Almeida.

Em alusão à data, a SES-MG fará campanha informativa que será repercutida nos perfis da secretaria nas redes sociais, como Facebook e Instagram. O objetivo é a divulgação de informações sobre cuidados, medidas de prevenção e formas de tratamento da doença, além de reforçar a importância do diagnóstico precoce.

A doença em Minas


 Em Minas Gerais, entre 1999 e 2019, até o momento, foram notificados 62.078 casos de HIV/Aids. Neste ano, foram notificados 3.516 casos da doença. Desses, a faixa etária mais acometida é a de jovens entre 20 a 34 anos.

“A infecção pelo HIV/Aids no público mais jovem vem aumentando consideravelmente nos últimos dez anos. Isso ocorre por essas pessoas estarem numa fase sexualmente ativa e, muitas vezes, com múltiplos parceiros, assim como pela diminuição do uso do preservativo e, ainda, o uso de drogas e álcool,  que também é mais comum nessa faixa etária”, comenta Mayara.

O público masculino também apresenta dados bem superiores da doença se relacionado às ocorrências femininas. Em 2019, foram notificados 2.737 casos da doença em homem e 777 casos em mulheres.

Tratamento

No Brasil, desde 1996, todas as pessoas diagnosticadas com Aids recebem tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), disponibilizados pelas Unidades Dispensadoras de Medicamentos (UDM), dos Centros de Aconselhamentos e Testagens (CTA) e dos Serviços de Atendimentos Especializado (SAE). A partir de 2013, o tratamento passou também a ser ofertado para todas as pessoas que possuem diagnóstico reagente para o HIV/Aids, ou seja, pessoas que possuem o vírus, mas que não manifestaram a doença.

“O tratamento consiste no uso de medicamentos antirretrovirais (ARV), que ajudam a evitar o enfraquecimento do sistema imunológico e é fundamental para aumentar o tempo e a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV, além de reduzir o número de internações e infecções por doenças oportunistas”, explica Mayara Marques.

PEP e PrEP

A Profilaxia Pós Exposição (PEP) é uma medida de prevenção de urgência à infecção pelo HIV, hepatites virais e outras infecções sexualmente transmissíveis (IST), que consiste no uso de medicamentos para reduzir o risco de adquirir essas infecções. Deve ser utilizada após qualquer situação em que exista risco de contágio, tais como:

  • Violência sexual;
  • Relação sexual desprotegida (sem o uso do preservativo ou com o rompimento dele);
  • Acidente ocupacional (com instrumentos perfuro cortantes ou contato direto com material biológico).


“A PEP tem como objetivo principal ampliar as formas de intervenção para atender às necessidades e possibilidades de cada indivíduo e evitar novas infecções pelo HIV, hepatites virais e outras ISTs”, explica a coordenadora.

Já a Profilaxia Pré Exposição (PrEP) ao HIV é um novo método de prevenção à infecção pelo HIV. A PrEP consiste na tomada diária de um comprimido que impede que o vírus causador da Aids infecte o organismo, antes de a pessoa ter contato com o vírus.

A PrEP não é para todos. É indicada para pessoas que tenham maior chance de entrar em contato com o HIV, como:

  • LGBT’s; Pessoas trans;
  • Profissionais do sexo;
  • Pessoas que frequentemente deixam de usar camisinha em suas relações sexuais;
  • Pessoas que mantém relações sexuais, sem camisinha, com alguém que seja HIV positivo e que não esteja em tratamento;
  • Faz uso repetido de PEP (Profilaxia Pós-Exposição ao HIV);
  • Apresenta episódios frequentes de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST)
  • Homens que fazem sexo com homens.


Contágio e prevenção

As principais formas de transmissão do HIV/Aids são via relação sexual (anal, vaginal e oral), sem o uso de preservativo. Também há a transmissão da mãe infectada para o filho durante a gestação, no parto ou na amamentação. O compartilhamento de seringa ou agulha contaminada, instrumentos perfurantes não esterilizados também são formas de transmissão da doença.

O método mais eficaz para evitar a transmissão do HIV/Aids é o uso do preservativo (masculino e feminino) em todas as relações sexuais. O preservativo está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS). Outras formas de prevenção são:

Não compartilhar agulhas, seringas, canudos e cachimbos;
Utilizar materiais esterilizados na aplicação de piercings e tatuagens;
Realizar exames de pré-natal durante a gestação;
Evitar transfusão sanguínea sem o controle rigoroso das bolsas;
Evitar materiais não esterilizados em clínicas odontológicas, manicures, barbearias, etc.

 

Fonte: Agência Minas

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