A direção da CEMIG finalmente acordou para a necessidade de enrijecer seus controles sobre a contratação de serviços e a compra de suprimentos, segmentos que há anos vêm sendo denunciados como passíveis de fraudes e desvios diversos. Mas há outros, talvez potencialmente mais capazes de causar danos patrimoniais imensos. Desses, o controle de estoques de cabos, luminárias, conectores, usados na construção de linhas de distribuição deverão ser investigados com muito rigor. É histórico, segundo fontes internas na companhia, que estoques de suprimentos depositados nas instalações de um grupo de empreiteiros, assim realizado para otimizar a execução de obras em campo nunca têm suas sobras retornadas aos depósitos da CEMIG, ou pelo menos considerados para cobrir necessidades de outras obras. Auditorias passadas constataram que condomínios já foram construídos com material subterrâneo que sobrou de obras da CEMIG; denunciados na época à direção da empresa, não se tem informação de que tais desvios tenham sido apurados.

Outras fraudes também são ainda comuns e devem ser objeto de investigação. Por exemplo, na compra de transformadores, adquiridos a preços correspondentes a potências muito maiores do que realmente são entregues, quando medida tal característica. Como é uma grande empresa que administra o fornecimento de energia em quase toda Minas Gerais, qualquer item adquirido tem enorme expressão. É o caso também das cruzetas de postes que pelo simples fato de terem patenteados modelos sem qualquer importância especial, seja no seu design, na sua resistência ou durabilidade são adquiridas por preços injustificáveis.

“Estoques e preços de compra de postes, cabos, painéis de controle, conectores, cruzetas, contratos de manutenção e extensão de linhas vão ser auditados; agora vai”, comemorou a fonte que pede para se manter no anonimato.