Abre a porta, cobra a passagem, entrega o troco, libera a catraca, concede informações, opera o elevador de cadeirantes e ainda dirige. Essas são algumas das várias funções realizadas, todos os dias, pelos motoristas de ônibus em Belo Horizonte (MG). Realidade que vem afetando e indignando condutores e passageiros pela cidade.

Como a estudante de psicologia, Mariana Alvares, que utiliza diariamente as linhas 8103, 8101 ou 9101, responsáveis por ligar as regiões Norte, Nordeste e Centro-Sul. Ela afirma que raramente os ônibus possuem o agente de bordo e que eles fazem muita falta. “Não é só a questão de cobrar a passagem, os agentes também eram muito úteis em fornecer informações, por exemplo. Acho muito contraditório que a maioria dos coletivos possuem uma placa dizendo para falar apenas o necessário com o motorista, mas faz ele exercer diversas outras funções além de dirigir, não faz sentido nenhum”, comenta a estudante.

A fim de amenizar essa situação, o prefeito Alexandre Kalil, determinou que as empresas do setor contratassem 500 novos cobradores para atuar na capital. Eles foram distribuídos, pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH), para os coletivos que possuem maior fluxo de passageiros e que pagam a tarifa em dinheiro. Porém, segundo Sandra Elizeth, condutora da linha 9103, que liga a região Leste com a região Sul, não adianta nada contratar esse número de agentes de bordo, sendo que a quantidade necessária é muito superior. “Dizem que essa linha não tem necessidade de ter cobrador em nenhum horário, mas quem deveria determinar isso, somos nós, motoristas e passageiros, que diariamente convivemos com esse ônibus lotado”, explica a motorista.

A design de moda, Bel Cordeiro Maciel, que utiliza diariamente essa linha para trabalhar, também concorda com a Sandra, e acha um absurdo sobrecarregar o motorista com tantas funções. “É super perigoso, o motorista deveria ficar atento a direção e ao trânsito para evitar eventuais acidentes. Esse trabalho já exige total dedicação do motorista e por muitas vezes acaba sendo bem desgastante, logo designar outros funções deveria ser totalmente proibido, em qualquer horário, em qualquer coletivo”, afirma.

Por lei, a presença dos agentes de bordo é obrigatória, entre as 6h e 20h30 dos dias úteis, em todos os ônibus, com exceção da linhas troncais e alimentadoras. Entretanto, a maioria dos usuários e trabalhadores julgam necessário ter a presença dos cobradores em todas as linhas e em tempo integral. O condutor Fernando Souza e o agente de bordo Daniel de Oliveira, por exemplo, trabalham juntos na linha 5102, e afirmam que o trabalho do cobrador é essencial, não só no horário de pico mas em todos os outros. “É muito estressante, quando eu preciso rodar sem a presença do Daniel, além de atrasar muito a viagem, no mesmo tempo em que eu cobro a passagem, eu preciso ficar atento a porta traseira, tenho que liberar a catraca, averiguar se o passageiro passou corretamente o cartão bhbus, devolver o troco correto e na maioria das vezes ainda acabar levando prejuízo e tendo que pagar do meu próprio bolso”, explica Fernando. Ele ainda afirma que essa situação não é benéfica nem para os passageiros nem para os funcionários.

Segundo dados divulgados pela BHtrans, está sendo realizado várias fiscalizações pela capital e os coletivos flagrados sem agentes de bordo, no horário e linhas determinados por lei, receberão uma multa no valor de R$ 688,51. Só esse ano, já foram aplicadas mais de 13 mil multas às empresas de ônibus. No entanto, nos demais horários e linhas, a ausência do cobrador continua permitida legalmente.

 

Imagem: Google