Um senhor de quase setenta anos de idade, deu entrada no HospitaL João XXIII, na madrugada do último feriado de virada de ano, apresentando um quadro agudo de infarto, e foi imediatamente conduzido a uma das alas do Hospital, onde se encontravam mais três pacientes, sendo dois deles com problemas nas pernas, e um jovem que aparentava ter problemas mentais.

Esse moço, que também ingeria álcool, de qualquer origem que encontrasse no Hospital, após a ingestão perambulava pelos corredores, sem qualquer restrição.

Ao indagar sobre qual seria o problema do moço, o infartado tomou conhecimento que o jovem estava internado para tratar de um quadro de pneumonia, e que tinha problemas mentais, e quando bebia álcool, saía pelos corredores do hospital, perambulando e não havia quem o pudesse deter, até que retornava ao quarto onde a vítima de infarto estava.

Também foi informado, por uma enfermeira, que o jovem não estava contaminado com o vírus da Covid-19, e que não haveria nenhum problema, tentando tranquilizar o infartado.

Dias depois, o senhor de quase setenta anos apresentou quadro de tosse insistente e foi diagnosticado com o coronavírus, sendo encaminhado para o Hospital Madre Teresa, onde ficou internado. Lá mesmo, ele passou por cateterismo e outros procedimentos inerentes ao infarto que o acometeu, e encaminhado para outro hospital, a uma ala de atendimento especializado em pacientes com Covid-19.

O paciente infartado tomou conhecimento que, poucos dias depois, o todo o pavimento do quarto onde ele esteve internado com o rapaz com problemas mentais e alcoólatra, foi isolado, e que por ali somente transitavam médicos e enfermeiros com todo o aparato e roupas especiais contra contaminação.