Benjamim Button é o personagem principal do livro do americano F.Scott Fritsgerald, um dos maiores escritores do séc XX. A obra foi inspiração para o filme de mesmo nome, protagonizado por Brad Pitt.

Ao inverso da realidade humana, Button nasce velho e vai rejuvenescendo com a passagem dos anos.

Recomendo este filme de 2008 e, para quem quiser ver, não vou dar ¨spoiler¨ e revelar seu final.

O nosso vigente calendário gregoriano, da bula de 1584, do Papa Gregório XIII, substituiu o calendário Juliano, de 46 A.C., e determinou a duração de dias, semanas e meses do ano.

Independente desta convenção ou de quando o homem primitivo media o tempo em razão da sua própria sombra ao sol, as estações se sucedem e, para quem pode usufruir de uma vida longa, o envelhecimento chega, como para todo ser humano.

Imagino como deve ser difícil a manutenção da beleza ao longo de uma vida para atrizes e modelos. Mas, afinal, são ossos do ofício.
 
Para a mulher, a forma ou aparência trazida com o envelhecimento talvez seja mais difícil do que para o homem. As nossas diferenças biológicas aliadas à cultura machista que vem desde a antiguidade construíram o sentido do feminino vigente até os dias de hoje.

As conquistas - como o direito de votar, maior liberdade sexual, igualdade de gêneros, a livre expressão de pensamentos e ações -  foram batalhadas por ativistas feministas como as sufragistas no final do século XIX e Simone de Beauvoir, em meados do século XX.

Em 1960, o papel social da mulher se transforma, com o advento da pílula contraceptiva, possibilitando a emancipação sexual feminina.

A partir daí, a mídia explorou ainda mais os atributos atraentes das mulheres e a publicidade criou novos ícones e mitos femininos de beleza e sedução.   

Sem considerar a etimologia da palavra ou seu aspecto bíblico, considero a vaidade saudável e importante. Nossa aparência física é trabalhada não só para os outros, mas principalmente para nós mesmos.

Querer ser aceito é um sentimento inerente à natureza humana. As mulheres, em especial, têm truques lúdicos para serem admiradas e este tema foi tratado por mim na crônica Pandora.
 
Os cuidados com o corpo, os cabelos, a pele, a maquilagem, roupas, bolsas e sapatos são poderosos. Não há como negar como é bom se ver bonita diante de um espelho!

Sou adepta de tudo isto e não gosto de me ver com os cabelos brancos, embora já os tenha há um tempão.
 
Mas chega o dia em que temos que reconhecer que o envelhecimento é irreversível. A inteligência e a sabedoria nos mostram que algumas coisas já não fazem mais sentido e se tornaram obsoletas.

O corpo mudou, o andar não tem mais a desenvoltura da juventude, os hormônios que nos inquietavam já se acalmaram e chegou a hora de parar e refletir sobre uma verdade da qual não podemos escapar: a passagem do tempo.

Reconhecer nossas limitações é tão importante quanto saber do nosso potencial, e a idade nos traz restrições que nenhum procedimento estético cirúrgico, seja invasivo ou harmonizador, vai nos restabelecer. É preciso aceitar, pois dói menos.
 
Quando a velhice chega, temos que estar atentos para não sermos levados pela vaidade ruim. Nessa hora, a ilimitada servidão aos padrões de beleza impostos não nos devolve a juventude e, pior ainda, nos tira a paz e desconstrói nossa imagem.

Abaixo a auto-censura da imagem!  

O moderno é construir uma velhice sustentável com o corpo que conquistamos. É hora de valorizar e reciclar o acervo da nossa rica experiência de vida, incorporando tudo o que for novo e bom.

Esta é uma receita para preservar o sorriso natural e verdadeiro, ter idéias vibrantes e um olhar iluminado para essa etapa de novas descobertas do ¨infinito particular¨ de cada um.  

Tempo de acalmar os corações.   

 

 

 

* Ângela Monteiro - Advogada