Os moradores de Belo Horizonte são os que mais utilizam aplicativos para se deslocar – seja a pé, de transporte público, carro ou bicicleta – e pedir entregas na América Latina. Os habitantes da capital também são os que mais veem a tecnologia como ferramenta para melhorar o trânsito e a oferta de produtos e serviços na cidade em que vivem.

Os achados estão na pesquisa inédita “Tecnologia e Vida Urbana”, encomendada pelo Loft Dados, núcleo de dados da startup Loft. O levantamento ouviu 4,5 mil pessoas acima de 18 anos, das classes A, B, C, D e E, entre o fim de maio e o início de junho, nos dez maiores centros urbanos da América Latina.

Buenos Aires, na Argentina, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, no Brasil, Santiago, no Chile, Bogotá, na Colômbia, Cidade do México e Guadalajara, no México, Lima, no Peru, e Caracas, na Venezuela, participaram do estudo feito pela Offerwise.

De acordo com o levantamento, os moradores de Belo Horizonte (56%) são os que mais acreditam que a tecnologia ajuda a melhorar o trânsito nas cidades. A capital mineira aparece à frente de outras metrópoles como Rio de Janeiro (48%), São Paulo (47%), Caracas (41%) e Lima (40%).

"Quisemos entender em que medida os moradores das maiores cidades latinas usam a tecnologia como forma de reduzir problemas de infraestrutura e melhorarem suas vidas dentro do lar. Nos chama a atenção que os centros urbanos brasileiros, em especial BH, estão sempre entre os que mais usam e acreditam nessas ferramentas", explica Fábio Takahashi, gerente de dados da área de comunicação da Loft.

Em Belo Horizonte, por exemplo, 52% da população consulta sempre ou quase sempre itinerários de transporte público por meio de aplicativos antes de sair de casa. Esse tipo de informação é acessado com maior frequência pela classe C (58%), mas também é explorado pelas classes A e B (48%). A capital mineira, aliás, lidera o ranking nesse quesito – tem a população que mais consulta trajetos e itinerários de transporte público via app. São Paulo e Buenos Aires completam o Top 3, com 44% e 41%, respectivamente.

Com a tecnologia ampliando o acesso dos cidadãos à informação, mais pessoas passaram a pesquisar maneiras mais eficientes de se locomover também a pé. Aqui, Cidade do México (48%), Guadalajara (40%) e Buenos Aires (36%) assumem a ponta.

Para além da informação, a tecnologia introduziu mudanças na forma como a população acessa diferentes modais, em especial o transporte público individual. Segundo o estudo, as cidades brasileiras lideram entre aquelas que mais usam táxi ou viagens por aplicativo, onde Belo Horizonte ocupa a primeira posição outra vez (54%).

Nesse quesito, São Paulo aparece na segunda colocação (45%) e o Rio de Janeiro na terceira (43%). Para efeito de comparação, em Caracas, por exemplo, apenas 12% da população usa o serviço com frequência.

Já o aluguel de bicicletas via aplicativo tem uma incidência significativamente menor e é utilizado sempre ou quase sempre por 9% dos paulistanos, percentual semelhante ao encontrado em Belo Horizonte (8%) e na Cidade do México (7%).

“A forma como as pessoas acessam diferentes espaços da cidade, e para diferentes

finalidades, é um aspecto crucial do dia a dia. A mobilidade urbana, além de ser fundamental para o acesso a diferentes serviços públicos e privados, é um fator crítico na hora de escolher em quais bairros ou regiões se pretende morar”, afirma Takahashi.

A pesquisa também mostra a capital mineira à frente quando o assunto é produtos e serviços. Cerca de 67% dos moradores de Belo Horizonte acreditam que a tecnologia melhora a oferta de produtos e serviços nas cidades em que vivem. Dessa vez, Caracas, Rio de Janeiro e São Paulo empatam na segunda colocação com 65%.

Em Belo Horizonte e São Paulo, 45% dos moradores fazem pedidos de refeições via aplicativos em casa sempre ou quase sempre, percentual semelhante ao observado no Rio de Janeiro (42%).

Os mineiros e os cariocas são os “campeões” também dos pedidos de mercado e farmácia via apps. Um em cada quatro belo-horizontinos (25%) compra ou já comprou alimentos e bebidas por meio de um aplicativo. E quase a metade dos cariocas (45%) já recorreu a um app para compra de medicamentos e outros itens de farmácia.

Os resultados da pesquisa acompanham os números do mercado brasileiro de delivery. De acordo com um estudo da empresa alemã Statista, o país foi responsável por 48,7% de todo o uso de delivery na América Latina em 2021.

“Os dados acima, que colocam as cidades brasileiras entre as mais otimistas em relação ao impacto da tecnologia, acompanham a relevância que a internet e as tecnologias móveis têm na vida dos brasileiros”, completa Takahashi.

Gráfico 1: avaliam que a tecnologia melhora o trânsito na cidade

Gráfico 2: avaliam que a tecnologia melhora a oferta de comércio e serviços na cidade

Gráfico 3: usam aplicativos para chamar táxi ou carro particular

Gráfico 4: consultam trajetos de transporte público ou para se fazer a pé via aplicativos

Gráfico 5: usam aplicativos para entregas em casa - refeições, mercado, farmácias

 

Fonte: Júlia Medeiros - Relacionamento com a Imprensa