Seguindo trajetória de expansão, o endividamento das famílias em Belo Horizonte registrou uma nova oscilação positiva de 1,0 ponto percentual (p.p.), alcançando 68,7% em fevereiro. No sentido contrário, o percentual de inadimplentes registrou uma nova queda de 1,0 p.p., atingindo 31,3% da população na capital. Esse é o menor resultado registrado nos últimos seis meses, mas está acima do valor obtido em fevereiro de 2020, quando o indicador alcançou 28,1%.

Os dados integram a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), elaborada pela Fecomércio MG, com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O economista-chefe da Federação, Guilherme Almeida, explica que o indicador de endividamento é um termômetro em relação ao consumo na capital mineira.

“Por um lado, as famílias continuam consumido, apesar das adversidades causadas pela pandemia de Covid-19. Por outro, a inadimplência tem retraído, o que revela que mais pessoas estão conseguindo quitar suas dívidas. No entanto, ainda é cedo para afirmar se essa trajetória se confirmará, pois com o agravamento da crise a renda pode ficar prejudicada, elevando novamente a inadimplência”, pontua.

A pesquisa também mensurou o percentual de consumidores que afirmaram não ter condições de quitar suas dívidas. Em fevereiro, esse subindicador recuou 1,5 p.p., atingindo 13,3%. Entre as formas de pagamento, o cartão de crédito continua como a opção mais utilizada pelos consumidores na capital. De janeiro para fevereiro, essa modalidade alcançou 82,7% da população, uma alta de 1,4 pontos, registrando adesão de 86,4% entre as famílias com mais de dez salários mínimos.

As outras modalidades de dívida citadas pelos entrevistados e que registraram queda nesse período foram: carnês (de 14,1% em janeiro para 12,5% em fevereiro); financiamento de carro (de 11,2% para 10,5%); financiamento imobiliário (de 9,8% para 9,7%); cheque especial (de 9,1% para 8,0%); crédito consignado (de 6,5% para 4,5%) e crédito pessoal (de 5,2% para 4,5%).

Em Belo Horizonte, o endividamento representa 10% da renda familiar em 77,1% dos casos e 50% do orçamento mensal para 22,2% dos entrevistados. Em média, o tempo de comprometimento de renda é de sete meses.

A Peic retrata o nível de comprometimento da renda familiar com financiamento de imóveis, carros, empréstimos, cartões de crédito, lojas e cheques pré-datados, bem como a capacidade de pagamento dos consumidores. Para a pesquisa de fevereiro, foram entrevistadas mil famílias residentes na capital mineira, nos últimos dez dias de janeiro. A margem de erro da Peic é de 3,5% e o nível de confiança é de 95%.

Famílias mais cautelosas

Dentro da margem de erro, assim como a Peic, o Índice de Confiança das Famílias (ICF) variou negativamente, alcançando 73,3 pontos. Motivado pelo cenário de cautela, o indicador – elaborado pela Fecomércio MG com dados da CNC – seguiu abaixo dos 100 pontos, fronteira que sinaliza o otimismo do consumidor.

O ICF é capaz de medir, com precisão, a avaliação que os consumidores fazem, mês a mês, sobre aspectos relacionados à condição de vida de sua família. Entre esses fatores estão a capacidade e a qualidade de consumo atuais e de curto prazo, o nível de renda doméstico e a segurança no emprego.

A oscilação do ICF foi influenciada pela alta de subindicadores como emprego atual (99,9 pontos em janeiro para 100,6 em fevereiro); renda atual (84,9 para 86,5) e perspectiva de consumo (74,1 para 77,1). Já os itens perspectiva profissional (de 96,0 para 92,7); acesso ao crédito (74,0 para 69,6); nível de consumo (51,9 para 50,4) e consumo de bens duráveis (36,6 para 35,9) recuaram em fevereiro.

Acesse, na íntegra, o relatório da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) de fevereiro de 2021

Confira, na íntegra, o relatório da pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) de fevereiro de 2021

 

Fonte: Fecomércio MG – Assessoria de Imprensa