Já estamos no último bimestre do ano. Os meses de novembro e dezembro são repletos de significados para nós brasileiros, mas também um momento importante para economia, com a chegada do esperado 13º salário.  O pagamento do benefício deve movimentar cerca R$ 211,2 bi na economia, segundo estudo do Dieese, valor que representa cerca de 3% do PIB do país. O comércio aguarda a injeção desse montante para garantir as vendas de final de ano e recuperar os baixos resultados de 2018.

De maneira geral, o ano passado foi marcado pela retração das atividades comerciais e aumento do endividamento da população.  O uso do cheque especial e do cartão de crédito, líderes no ranking de juros, foram as opções mais utilizadas pelos brasileiros.

Os bancos têm cobrado taxas anuais na faixa de 300% pela utilização do cheque especial, enquanto na utilização do cartão de crédito os juros chegaram a 164%, segundo relatório do Banco Central de 26 de outubro de 2018.

É preciso se organizar e utilizar o benefício extra de forma racional, para que seja bem aproveitado. O desejo pela aquisição de bens e de presentear os entes queridos é grande, mas é preciso fazer as contas para não começarmos 2019 ainda mais endividados. Listo aqui cinco passos ajudam na utilização consciente do 13º.

1 – Liste todos os seus débitos, principalmente aqueles que estão atrasados; 2 – Ordene essa lista de forma que os primeiros sejam aqueles que têm os juros mais elevados; 3 – Ligue para seus credores e tentem renegociar o pagamento com redução dos juros; 4 – Privilegie o pagamento de dívidas que têm redução de maiores juros e que sejam possíveis de quitar integralmente; 5 – Seja racional nas suas escolhas e não se sinta pressionado para consumir sem necessidade.

Ainda assim, caso o saldo final não seja aquilo que você estava esperando, use a criatividade na hora de presentear, preferindo as lembrancinhas.

Caso você seja da parcela privilegiada da população que não tem dívidas, aproveite para planejar e reduzir os impactos dos gastos do início de 2019, como o IPVA e o IPTU, o material escolar, uniformes e o aumento da mensalidade escolar.

O período é ideal para analisar e rever padrões de consumo. Comprar é bom, principalmente quando um sonho é realizado, mas a tranquilidade de saber que sua saúde financeira está controlada, não tem preço.

Tire um tempo para avaliar as finanças, coloque na ponta do lápis o que recebe e o que gasta ao longo do mês. Adeque seus gastos a sua renda, pois viver em um patamar incompatível com a realidade é a grande causa de endividamento. Busque ter uma reserva para situações imprevisíveis e emergenciais.

Não deixe que o impulso do consumo seja mais forte que sua racionalidade. Isso não quer dizer que não devemos consumir. Só não podemos deixar o sonho virar pesadelo. Ninguém nasce sabendo sobre educação financeira e planejamento. É treino. E com o passar do tempo, vamos aprimorando. Só aprendemos fazendo.

 

Autor: Cleyton Izidoro - Professor e coordenador do programa de MBA da Una