A paciência começa a se impacientar com a quantidade de anúncios estampados em portais diversos. São aleatórios, acachapantes, invasivos e ofensivos. Em vez de discretos e recolhidos à sua insignificância. Não pedem licença para se apresentarem na vitrine da web. O tempo gasto para dar um sumiço nas propagandas é quase o mesmo dispendido na leitura de alguma informação. Ou seja, meio a meio. Isso desqualifica o esforço original. O ato de buscar um xis no cantinho para apagar as múltiplas ofertas, geralmente, de produto para consumo, com interrupções inadvertidas e automatizadas, já solicita tomada de posição radical, qual seja, outra alternativa ou mesmo o desligamento da internet, visto a perda inerente da capacidade de concentração frente à tela. Certo, esse o ganha-pão dos sítios. Assim fazem dinheiro. Mas se arriscam, sem a boa dosagem, a expulsarem seus usuários. Feita a constatação, a lição. "A qualidade de nossa leitura não é somente um índice da qualidade de nosso pensamento. É o melhor meio que conhecemos para abrir novos caminhos na evolução cerebral de nossa espécie", avalia Maryanne Wolf, autora do livro "O cérebro no mundo digital", da editora Contexto. Corra uma meia maratona atrás dela...

 

Por Márcio Fagundes.