A Vale, responsável por dois dos piores desastres ambientais do Brasil (Mariana e Brumadinho), tenta agora encontrar um novo destino para os rejeitos de mineração e desafogar suas barragens.

De acordo com o Estadão, nesta semana a mineradora inicia um projeto piloto que busca transformar os rejeitos em produtos de construção civil, como blocos de concreto e piso.

Em um momento em que há uma escalada da consciência ambiental no mundo, as empresas têm sido motivadas a se movimentarem em torno de pautas de melhorias para não sofrerem com falta de investidores e financiadores.

A alternativa é vista pela empresa como uma forma de reduzir a dependência pelas barragens, que são um risco iminente para a população que vive ao seu redor.

Segundo o jornal, apesar da mineradora ter conseguido recuperar o valor do mercado perdido com os acidentes, há uma tentativa de melhorar a imagem no mercado.

A fábrica foi construída numa área de 10 mil metros quadrados dentro da unidade da Mina do Pico, no Complexo Vargem Grande, em Minas Gerais. Totalmente automatizada, a planta – resultado de um programa de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) de R$ 25 milhões – será operada por oito mulheres e deve passar por dois anos de testes.

A empresa informou que a unidade tem capacidade para reaproveitar cerca de 30 mil toneladas de rejeitos e produzir 3,8 milhões de materiais pré-moldados para a construção civil. Contudo, o número é pequeno com relação a quantidade de rejeitos produzidos, que só em 2019 somam cerca de 55,2 milhões de toneladas.

De acordo com o gerente executivo de licenciamento Ambiental da Vale, Rodrigo Dutra “Esse projeto não envolve retirar o rejeito da barragem. O que vamos fazer é dar um novo destino para o material ao sair da mina. Em vez de empilhar ou colocar na barragem, o material será enviado para a fábrica produzir os blocos”.

Essa é a primeira iniciativa da Vale para reaproveitar os rejeitos das minas. O projeto contará com a cooperação técnica do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), que terá dez pesquisadores atuando na pesquisa.

Segundo a mineradora, nos dois anos de testes, os blocos produzidos na fábrica serão usados internamente e também doados para comunidades, prefeituras e parques. O primeiro lote será destinado à construção de um piso drenante na Reserva de Linhares, no Espírito Santo, administrada pela empresa.