Segundo levantamento feito pela ABTO (Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos) houve uma queda de 26% na taxa de doadores de órgãos, se comparado ao primeiro trimestre de 2020. Em Minas Gerais a queda foi de cerca de 50%, segundo o coordenador do MG Transplantes, Dr. Omar Lopes Cançado. A diminuição está diretamente ligada à pandemia do novo coronavírus, já que a maioria dos possíveis doadores teve algum contato com a doença.

No estado o MG Transplantes é responsável por todo o processo de doação e transplante, desde a abordagem aos familiares até a verificação da lista de espera e assistência aos hospitais que farão as cirurgias. Todos possíveis doadores são testados para COVID-19, além de outros exames que são realizados para que o receptor não corra nenhum risco ao receber o órgão. Há hoje 5.000 pessoas aguardando por uma doação. Só pelo transplante de córneas são quase 2.000 pessoas na fila, número que era de 1.000 no final de 2019.

“As pessoas que estão necessitando de transplantes são pacientes que tem patologias graves e que o tratamento não consegue resolver. O aumento da espera por órgãos pode acarretar a piora do quadro clínico ou até levar ao óbito antes de ter a chance de realizar o transplante”, disse o coordenador do MG Transplantes. Um único doador por morte encefálica pode salvar até 12 vidas.

Apesar de o país ser referência nas cirurgias de transplantes, o número de doadores ainda é considerado baixo. Dr. Omar acredita que existe uma recusa em aproximadamente 40% das famílias de possíveis doadores. Além disso, ele crê que a diferença social e de estrutura entre as regiões é um fator que influencia nos números. “O Brasil é um país muito grande, com diferenças socioeconômicas e culturais. Temos regiões onde a assistência a saúde é muito precária e as equipes não conseguem revisar os protocolos de morte encefálica e confirmar o diagnóstico. Perdemos muitos doadores sem essa confirmação.”

No Brasil a decisão da doação é totalmente dos familiares, não sendo necessário deixar nenhum documento oficial, contudo é importante conversar sobre o desejo de ser um doador. “A lista de espera no país e no estado é muito grande, e as possibilidades dessas pessoas continuarem a ter uma vida normal é com a realização do transplante. Normalmente quando se expressa a vontade em vida os parentes respeitam a decisão. Então o mais importante é que as pessoas conversem entre si e se conscientizem de que esse ato pode salvar vidas”, concluiu Dr. Omar Lopes Cançado.