O Laboratório Farmacêutico Cristália anunciou ontem (1/6) investimentos de R$ 300 milhões em nova fábrica em Montes Claros (MG). O empreendimento irá gerar 700 empregos diretos ao longo dos próximos cinco anos, revelou o Estado de Minas.

De acordo com a empresa, a nova unidade terá como uma das metas a ampliação da produção de medicamentos do chamado kit intubação (que inclui anestésicos e narcoanalgésicos), usado na sedação de pacientes graves da Covid-19. Mas não se restringirá a isso, conforme informou ao jornal o presidente do Conselho Diretor e diretor geral do laboratório, Ricardo Pacheco.

Embora a necessidade atual seja de ampliação de linhas de produção para medicamentos do kit intubação, esta planta será multipropósito e estará apta a produzir vários tipos de fármacos”, frisou Pacheco.

Para a empreitada, a empresa adquiriu um imóvel de 156 mil metros quadrados e 30 mil metros quadrados de área construída, onde funcionou por anos a fábrica de tecidos Santanense. A unidade pertencia ao Grupo Têxtil Coteminas, que possui outras duas unidades em Montes Claros, onde o grupo foi fundado na década de 1960.

Segundo o Cristália, “a cidade de Montes Claros foi escolhida (para receber o investimento) por conceder incentivos fiscais para a implantação de indústrias e pelo fato de o imóvel já contar com uma boa infraestrutura, acelerando as obras e adaptações necessárias para início da produção”. Além disso, “a região conta com mão de obra qualificada, uma vez que serão gerados cerca de 700 empregos diretos nos próximos cinco anos”.

Fundado em 1972 e sediado em Tapira (SP), com capital 100% nacional, o laboratório Cristália já possui outra planta em Minas – Pouso Alegre, Sul do Estado. A nova planta “faz parte do plano de expansão do Cristália, que trabalha diariamente para atender a demanda do mercado brasileiro nos próximos anos, que tem crescido gradativamente”, assegurou Ricardo Pacheco.

Com o anúncio do investimento pelo Laboratório Cristália, Montes Claros (414,48 mil habitantes) consolida-se como novo polo da indústria farmacêutica no País. O município sedia unidades da dinamarquesa Novo Nordisk (maior produtora de insulina do mundo) e a MSD Saúde Animal (fabricante de vacinas e produtos veterinários). Atualmente, estão em implantação na cidade unidades dos laboratórios Eurofarma e Hipolabo.

O que é preciso para seguir carreira na indústria

O farmacêutico industrial tem uma das carreiras mais concorridas e valorizadas do mercado. Com o avanço da legislação do setor, a crescente preocupação com a qualidade dos produtos industrializados e a necessidade de aumento de produtividade industrial a carreira demanda, cada vez mais, investimentos em aperfeiçoamento profissional.

Ser farmacêutico industrial exige do profissional conhecimentos aprofundados de gestão industrial e ferramentas da qualidade, normas nacionais e internacionais de Boas Práticas de Fabricação, técnicas de controle de qualidade, gestão de projetos e processos e, principalmente, da legislação sanitária do setor.

A farmacêutica industrial e professora da pós-graduação de Gestão da Qualidade e Auditoria em Processos Industriais do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, Luciana Colli, destaca que, para quem quer seguir carreira no setor industrial, é preciso muita dedicação para estudar, desenvolver a própria capacidade de trabalhar em grupo e de gerir pessoas e processos.

Luciana conta que começou a carreira em empresas do varejo farmacêutico fazendo Autorização de Funcionamento de Empresa (AFE) e Autorização Especial de Empresa (AE), depois migrou para fabricantes, importadores e distribuidores de produtos para a saúde. Foi um longo caminho percorrido até atingir um cargo de gestão.

Segundo a professora, no início da carreira não existiam muitos cursos de pós-graduação na área, então ela teve de aprender fazendo, lendo e estudando sozinha. “Era um grande desafio devido à complexidade dessa área de atuação. Mas, atualmente tenho uma carreira madura, ministro aulas, trabalho na indústria e presto consultoria”.

Luciana afirma gostar dessa área desde quando cursava a faculdade. “Um dia, um pequeno empresário precisava do serviço e me convidou para fazê-lo. Na época, eu não tinha muita experiência, e ele, poucos recursos financeiros. Mas abracei a oportunidade e acreditei no meu desempenho profissional, e isso me ajudou muito. Foi a partir dessa primeira experiência que adquiri conhecimentos novos e que me valeram muito. E foi a partir daí também que percebi que a área demanda conhecimento nos diversos setores das empresas”.

 

 

Fonte: ICTQ - Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade