A 13 dias das eleições municipais, as campanhas vão revelar neste ano, ao seu final, novos métodos dos candidatos de sensibilizar o eleitorado em busca de apoio. Nestas eleições, a pandemia abortou as grandes reuniões fechadas, as concentrações que no interior do país sempre eram oportunidades de encontros para as mais diversas finalidades; as carreatas, geralmente chatas e barulhentas, foram poucas. Os comícios – que, desde que não mais trouxeram shows de cantores e bandas famosas, resumiram-se à fala dos candidatos – na maioria das vezes não foram atrações capazes de tirar ninguém de casa e juntar pessoas nas praças. Os candidatos estão nas redes sociais, no WhatsApp, no YouTube, no Instagram, nas quais circular é mais fácil, mais direto e mais barato.  

O prestígio e a perspectiva eleitoral de cada candidato são agora medidos cientificamente, por audiência nas redes sociais e em pesquisas bem elaboradas, capazes de dizer para onde cada candidato tem que apontar sua flecha. Medem tudo: voto por gênero, por faixa de idade, por classe social, por região dentro das cidades, promessas de fazer e desfazer. E, a não ser que os resultados revelem empates, há expectativas que deveriam desconsertar para novas disputas certos candidatos. O favorito tem, em muitos casos, mais do que o dobro de todos os seus oponentes, somados. O que esperar? Um milagre, talvez. Problema do Fundo Eleitoral, que entrega para os partidos recursos para as campanhas gastarem em materiais, estratégias caras, contratos com marqueteiros, aluguel de veículos, contratação de pessoal. 

Mas esse não é também o maior problema: o x da questão está no voto. Vendo hoje certos resultados que as pesquisas parecem que vão confirmar no dia 15, é impossível assistirmos sem espanto ao êxito da falta de programas, de projetos, de conhecimento do quadro social, das demandas por políticas públicas, da realidade econômica que o país, os Estados e os municípios vão amargar nos próximos anos. Prefeitos, muitos, foram desastrosos nesses últimos quatro anos; em muitos casos, pioraram suas cidades, muitas dessas cheias de oportunidades para revelar boas administrações. E muitos desses querem suas reeleições. 

Mas outros fizeram milagres; assumiram prefeituras endividadas, com demandas inadiáveis pelo sacrifício que representavam para as populações, e foram buscar na imaginação, na criatividade, nas formas modernas, limpas e republicanas de fazer gestão pública com decência, sem corrupção, sem favores políticos e benefícios de grupos, o reencontro com o desenvolvimento, com a transformação social vinda de mais oferta de saúde, mais escolas, mais creches, mais pavimentação e mais empregos, o que, somado, eleva a dignidade do ser humano assistido por tais realizações. Vota mal quem não busca esses valores nos seus candidatos, prefeitos e também vereadores. Todos sabemos que o voto é o único instrumento que cada um de nós tem de mudança para transformar a vida da coletividade. Pensemos nisso nas próximas eleições.

 

 

 

Fonte: Artigo publicado pelo jornal O Tempo, pág.2, em 03.novembro.2020