A pandemia que nos massacra desde março do último ano – e que nós, simples mortais, acreditávamos estar no seu final – volta e se consolida com ênfase no último mês e no atual. Além da fragilidade que a cada dia demonstramos nas diversas regiões brasileiras, o mais contundente e amedrontador é a falta de informações confiáveis, levando alguns cientistas a dizer, sem medo, que os números nacionais são muito maiores do que os anunciados pelos setores públicos e pela própria imprensa. 

Número de infectados, grau de contaminação, capacidade de atendimentos pela rede pública ou privada, valor efetivo de medicações como ivermectina, cloroquina e outras “inas”, disponibilidade ou não de leitos, tudo parece feito para dificultar as soluções. Uma conjugação de equívocos e de incertezas sem medida que afasta uma maior e mais contributiva participação de profissionais de saúde, cientistas e de todas as camadas da sociedade no abrandamento das consequências e na produção de soluções em favor da população e da saúde pública. 

Acrescem-se a essa barafunda, além do descaso de milhões com cuidados básicos de preservação da própria integridade – ignorando protocolos de segurança sanitária com o uso de máscaras, medidas de higiene pessoal, falta de distanciamento social –, as inoportunas disputas políticas, agravadas pela atitude irresponsável de líderes, muitos de dimensão ou pelo menos com responsabilidades nacionais, pouco sensíveis à realidade de miséria social e econômica na qual o Brasil e os brasileiros se encalacram involuntariamente, a cada dia mais. 

O endividamento público e privado internos, o comprometimento do Orçamento nacional seguidamente desidratado pela diminuição das atividades produtivas e a consequente limitação do financiamento de investimentos – em 2021 estaremos arrecadando apenas para custeio da máquina pública, pagamento das obrigações básicas como saúde, educação e segurança, além da folha de vencimentos de funcionários ativos e de dependentes da Previdência Social – são partes de um quadro que demorará muito para se reverter. É certo que a pandemia pode ser em muito responsabilizada por essa realidade, mas ainda são obscuros os caminhos a tomar. O auxílio emergencial, distribuído da forma mais republicana possível, reconheçamos, precisava ser conciliado com políticas de incentivo da manutenção e geração de atividades econômicas. 

Vamos enfrentar uma realidade de enormes dificuldades, num já desenhado quadro de incertezas sem tamanho, que podem frustrar ou mesmo sepultar o aproveitamento de oportunidades que o mundo nos abriu. Não podemos perder a atenção na produção de itens da nossa agricultura e pecuária, o salvador e merecidamente festejado agronegócio, e na exportação sempre maior de nossas comodities. Vamos facilitar a parceria com tecnologias modernas, presentes em qualquer parte do mundo, sem ideologias baratas e idiotas. Neste momento, valem o emprego e o crescimento econômico porque a miséria social é inimiga da dignidade humana.

 

 

Artigo Luiz Tito, publicado pelo Jornal O Tempo, Pág. 2, em 05.Janeiro.2021