Encerradas no domingo as eleições para a maior parte dos municípios brasileiros, restaram-nos ainda para o segundo turno, em Minas, apenas quatro das 853 cidades de nosso Estado: Contagem, Uberaba, Juiz de Fora e Governador Valadares. Em todos os demais, muitos com a previsão de outro turno, as faturas foram liquidadas. Surpresas não faltaram com o sucesso de muitos ou mesmo com a derrota de outros. Em todos os resultados que vimos, o voto foi a expressão de confiança na continuidade e na realização de programas que acompanharam as candidaturas. Onde o êxito não ocorreu, o resultado foi o julgamento dos eleitores do que fizeram prefeitos e vereadores que já estavam em seus cargos e pretendiam a reeleição ou dos novatos capazes de abrir os caminhos para o desejo de um novo momento de renovação. 

Disse Winston Churchill que “a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos”. É a verdade. A correção do processo democrático expresso no poder do voto só é muitas vezes contestada pelos perdedores, que se apegam a falsas premissas para questionar a legitimidade do processo. O povo não soube escolher, é o que se ouve dos incapazes de trazer para suas candidaturas a preferência do povo. Quando as vitórias são retumbantes, maciças, com números distantes entre os concorrentes, então outra não pode ser a avaliação: venceu, sim, o melhor. 

Mais uma vez, esta foi a realidade em milhares de municípios brasileiros. No domingo, já com a decisão conhecida em centenas de cidades mineiras, algumas chamaram atenção, quando os votos foram apurados: Montes Claros, onde o atual prefeito, Humberto Souto, foi reeleito com quase 86% dos votos válidos, concorrendo com candidatos jovens e experimentados; e Betim, uma cidade que colecionava havia décadas demandas históricas e não tratadas, não resolvidas, punindo uma população presente em todos os patamares sociais. 

O que encontrou a atual administração do prefeito Vittorio Medioli foi uma gente sofrida, cansada de crer em vão no poder público. Morrendo por falta de assistência de saúde, com pacientes amontoados nos corredores do hospital, esperando pelo andar de quilométricas filas à espera de cirurgias ortopédicas, de catarata e várias outras necessidades não atendidas. Com escolas caindo aos pedaços, sem conforto mínimo para alunos e professores. Com vias públicas sem manutenção, além de obras também paralisadas há décadas, vindas de outras gestões. E pior, com dívidas astronômicas. O caminho para se buscar um lugar no coração do povo? O do trabalho. Com planejamento, respeito ao patrimônio público e à sociedade. Que essa postura contagie todos os eleitos para a gestão dos municípios brasileiros nos próximos quatro e muitos outros anos mais.

 

 

 

Fonte: Artigo publicado pelo jornal O Tempo, pág. 2, em 17.11.2020