O governo Bolsonaro vem sendo seguidamente criticado por estar empreendendo um processo de execução orçamentária asfixiante e danoso, se levarmos em conta o grau de interferência do setor público na atividade econômica, especialmente como empregador, comprador e contratador de serviços. Isso depois de restringir gastos com a folha de servidores, com a alocação de verbas de custeio, com cortes sistemáticos de recursos destinados à manutenção da educação, da saúde e da segurança, além de pouco ou nada realizar de investimentos em seus primeiros oito meses de trabalho. Não é, obviamente, uma realidade desejável, e se espera que arranjos estejam sendo construídos para se tentar mudar os rumos da economia, angustiada por uma inércia que agrava sempre mais o desespero dos que sofrem com a pobreza, com a falta de emprego e de moradia e com a fome.

Em tais arranjos, entre medidas que Bolsonaro ofereceu nos últimos dias está  o processo de privatização de estatais, acenando com a perspectiva de se entregar à iniciativa privada 17 empresas nas quais está provado o fraco desempenho de seus resultados, além de em muitos casos se ter constatado a facilidade com que estas se eternizaram  como celeiro farto para as manobras que enriqueceram grupos econômicos e políticos amigos. Críticas não faltam à ideia de privatização, e o maior exemplo usado pelos que não querem ou não se interessam por mudanças é o valor pelo qual à época se negociou a Vale, uma das maiores mineradoras do mundo, além do insucesso da privatização do braço da telefonia assumido pela Oi, hoje quebrada e uma das grandes preocupações do governo para com a comunicação no país. Ambas e muitas outras foram negociadas por meio de leilões públicos, totalmente abertos e que permitiram a oportunidade de participação dos diversos grupos à época interessados no controle dessas empresas.

Não há mais tempo para chorar, com tanta água que já rolou debaixo dessa ponte, e o que se registra é que o empreguismo e a distribuição de favores entre amigos, comuns nas nossas estatais, foram cortados. Isso sem falarmos na ineficiência sempre presente nas nossas estatais, cujo preço custa ao bolso do contribuinte.

O certo é que pode surgir dessa nova jogada, a da privatização, um alento para que a economia reaja; em Minas, além da Ceasa, também a Refinaria Gabriel Passos será privatizada, em paralelo com outras similares em todo o Brasil. É muito pouco e longo o tempo para que resultados sejam produzidos pela medida. É essa uma boa hora para que o governo federal, como acionista e principal interessado nas privatizações, coloque todos os seus recursos para acelerar esse processo, buscando ainda estimular os Estados para que façam o mesmo. No Tesouro da União e dos Estados falta dinheiro para tudo, e, em contrapartida, há dinheiro no mundo procurando bons investimentos.

Essas empresas, privatizadas, com a obrigação de dar resultados, podem injetar fortunas num caixa vazio, que precisa investir em infraestrutura, em educação, em saúde, em comida, itens há muito ausentes da vida de parcela significativa da sociedade brasileira.

 

Fonte: Artigo publicado no Jornal O Tempo, pág 2, em 03.setembro.2019