Na semana passada, neste mesmo espaço, denunciamos a inércia dos governos federal e de Minas Gerais em acelerarem a tão desejada agenda de reformas, cada um nas suas devidas competências, que não saem do lugar e que notoriamente empacam o nosso desenvolvimento econômico. Chegamos ao fundo do poço, e Minas é um dos Estados da Federação mais inviáveis no equilíbrio e na realização de seu orçamento fiscal. 

Os compromissos públicos que Minas tem não serão quitados porque prevê-se a falta de recursos até mesmo para o pagamento da folha de vencimentos dos servidores efetivos; a quitação mensal das pensões dos aposentados é uma incógnita a cada mês, porque ninguém conhece a real situação financeira e patrimonial do Ipsemg. É um dos órgãos da administração pública estadual mais maltratados pelos governos. Seus serviços de saúde, para citar um exemplo, sempre foi considerado um desrespeito aos servidores e às suas famílias. Lá é recorrente a falta de medicamentos, de pessoal, de projetos e controles -enfim, de gestão-, e sobram incompetência e ineficiência.  

Em entrevista concedida na última quinta-feira ao programa Café com Política, da rádio Super 91,7 FM, o governador Romeu Zema realçou a baixa qualidade da Cemig na prestação e na expansão de seus serviços por absoluta insuficiência de capital para realizar os investimentos necessários nas suas redes de transmissão e de distribuição. Inadmissível para uma empresa monopolista que, sempre que comparada a outras concessionárias do país, é conhecida como quem pratica os mais altos preços no fornecimento de sua energia; que paga salários e benefícios aos seus empregados que são considerados, no mínimo, abusivos; que arrocha seus fornecedores a ponto de inúmeras vezes vê-los quebrados ou impossibilitados de cumprimento de seus contratos; que não faz ou faz mal o controle e gerenciamento de seus estoques de materiais, onde se multiplicam as fraudes e os prejuízos. Tudo isso, junto, numa sociedade que já foi modelo de empresa pública para o país, fez chegar ao ponto de o governador do Estado ir à imprensa para denunciar sua ineficiência como concessionária de energia. 

Se se tem tanta evidência da falência de sua gestão, porque não a entregar a preço justo ao interesse privado, com um protocolo claro de suas responsabilidades e com a certeza de que o Tesouro mineiro não precisará pagar com seus recursos pela sua capitalização? Por que quem manda não intervém na sua precária e danosa gestão, tão lesiva ao interesse dos mineiros? Passam-se anos, e o discurso segue sendo o mesmo. E Minas não sai do lugar. 

Que se contratem consultorias especializadas para termos avaliações corretas desses ativos. Concluídos tais estudos, que sejam essas participações oferecidas publicamente ao capital privado. São ativos que a cada dia mais têm sua importância desidratada, corroída e depreciada. Minas está perdendo tempo e o valor de sua participação no patrimônio dessas estatais. E pior: não conseguirá se desenvolver porque não terá energia para entregar à indústria, ao comércio, à prestação de serviços e, enfim, a quem quiser aqui empreender. O que mais se espera?

 

 

 

Fonte: Artigo veiculado pelo Jornal O Tempo, pág. 2, em 15 de Dezembro de 2020.