O governador Romeu Zema chegou ao comando de Minas Gerais, segundo Estado em população e, em alternância com o Rio de Janeiro,  em importância econômica, legitimado por uma eleição disputada e apurada contra todas as perspectivas: vencera o ex-governador Antonio Anastasia, que havia imprimido na imagem de Minas as marcas de um bom gestor; Anastasia, afastado por força da legislação eleitoral, foi sucedido por Alberto Pinto Coelho, que deu continuidade ao projeto em curso e o terminou com fidelidade às premissas de sua concepção.

Minas caminhava com os pés no chão e consciente de suas dimensões. 

Na sucessão, veio o governo de Fernando Pimentel, que tinha tudo para ter permanecido no Palácio da Liberdade – se reeleito – não fosse a absoluta falta de planejamento minimamente ajustado às demandas que o momento colocara e que esperavam melhores respostas. Pimentel tinha tudo para obter dos mineiros um bom reconhecimento ao governo, que infelizmente não conseguiu entregar. Foi falho na relação com o funcionalismo, na construção das prioridades como políticas públicas, na relação com os agentes em torno dos quais está pulverizada a representação política da sociedade; nesse mesmo patamar estão a Assembleia, o Judiciário e determinados espaços do Executivo, com quem conviveu graças a sucessivos pacotes de favores e benesses. 

Ninguém nega que Fernando Pimentel, nos últimos dias de seu governo, já sofria com a demora da chegada do momento em que passaria o bastão de comando de Minas ao seu sucessor. Zema chegou ungido pelo sucesso de uma eleição disputada em nome do novo. O país se encontraria com esse cenário na maioria de seus Estados e na Presidência, materializado no andor que conduziu Bolsonaro ao seu mando. Até aí, tudo de acordo. 

No primeiro dia em que estava instalado no governo do Estado, Zema já demonstrara a mediocridade de suas opções, deixando de ir a Brasília para a posse de Bolsonaro porque não tinha voo da Azul e não queria gastar querosene do avião do governo para comparecer à festejada posse. Foi o único governador que faltou, e ninguém entendeu. Ir à posse do presidente da República seria importante para Minas, dado o caráter político dessa relação. Mas não foi. 

Os equívocos se sucederam, e o governo não conseguiu até agora se impor, seja na relação com a Assembleia, seja nos demais espaços de sua expressão. Politicamente, Minas está à deriva. Essa conta é unicamente do seu comandante e de seu partido, o Novo, incapaz até mesmo de oferecer ao governador o apoio mínimo, a menor retaguarda, como agora visto neste momento histórico, em que Zema, na parede, oprimido e só, concedeu ao funcionalismo um aumento de 42% contra tudo: contra a política de ajuste de contas que TODOS os governadores da Federação, esganados pela escassez de recursos, estão lutando para construir; contra a política sustentada pelo presidente da República, que arrocha como pode a concessão de privilégios e de verbas para majoração de vencimentos dos servidores; contra o próprio funcionalismo, que comemorava a possibilidade de receber o 13º, que ainda não veio, e de não ter seus salários parcelados de abril em diante. 

Onde estamos? Para onde vamos? Onde conseguir os R$ 9 bilhões que faltarão para pagar mais essa loucura?

 

Fonte: Artigo Publicado pelo jornal O Tempo, pág. 2, em 25.02.2020