Uma cena corriqueira e aparentemente ingênua pode ser vista praticamente todos os dias nas casas brasileiras: crianças distraídas e entretidas na frente da TV. Mas, o hábito pode trazer riscos e prejuízos para a saúde dos pequenos, durante a infância, com reflexos ao longo da vida adulta.

A indústria de alimentos mundial gastou em 2011, 21 bilhões de dólares com publicidade, sendo que, apenas as grandes empresas de fast foods investiu 3 bilhões de dólares, aproximadamente. É sabido que as propagandas de certos alimentos fazem com que a escolha de alimentos saudáveis se torne uma tarefa mais difícil, principalmente para o público infantil.  Afinal, por que o público infantil é o mais vulnerável?

A infância é a fase de descobertas e aprendizados. O público infantil é muito relevante para a publicidade, pois é facilmente cativado, influenciando consideravelmente seus hábitos, escolhas e preferências alimentares.  

A intenção da publicidade televisionada é vender o produto e muitas vezes não está associado ao ensinamento de boas práticas alimentares. 

Em 2019, orientei uma pesquisa juntamente com estudantes do curso de Nutrição, no qual analisamos a relação entre o tempo que crianças entre 4 e 10 anos de idade passam em frente à televisão e o estado nutricional.  Neste estudo, percebemos que as crianças permaneciam em média três horas e 20 minutos, todos os dias, em frente à TV e que quanto maior o tempo na frente do aparelho, maior o peso das crianças, indicando relação entre o hábito de assistir TV e a obesidade em crianças. Neste mesmo estudo, 93% dos pais/responsáveis entrevistados afirmaram que a televisão exerce influência na construção do hábito alimentar da criança.

O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente atua neste contexto por meio de uma regulamentação (RDC nº 163 de 13/03/2014), que dispõe sobre a abusividade do direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à criança e ao adolescente, apontando formas de exposição das informações consideradas abusivas. Vale ressaltar a importância do acompanhamento dos pais e responsáveis neste processo, considerando o grande poder de compra que as crianças exercem no contexto familiar.

Aliando o hábito frequente da exposição diante da televisão e as características das informações transmitidas por este meio, é importante a preocupação dos pais/responsáveis quanto à saúde dos menores, uma vez que o estado nutricional da criança e suas preferências alimentares são carregadas por toda a vida.

 

*Nayara Mussi Monteze - Doutora em Ciência de Alimentos e coordenadora do curso de Nutrição do Centro Universitário Una Linha Verde.

 

Fonte: Izabela Ferreira - Relacionamento com a Imprensa - Rede Comunicação de Resultado