É provável que você já tenha lido ou ouvido falar sobre a leishmaniose, mas você sabia que essa doença é considerada endêmica no país, afetando anualmente um número incontável de cães? Neste mês, o debate sobre esse tema é estimulado pelo “Agosto Verde”, uma relevante campanha de conscientização sobre a importância da adoção de medidas de prevenção.

A leishmaniose, também conhecida como calazar é uma infecção parasitária que afeta os animais e também os humanos. A transmissão ocorre por meio da picada do mosquito palha (Lutzomyia longipalpis) infectado.

O ciclo de contagio acontece da seguinte forma: o cão se contamina ao ser picado por um mosquito palha infectado pelo protozoário da espécie Leishmania. A partir desse momento o animal serve de reservatório para o vetor, o que aumenta o risco de transmissão para os humanos e outros cães.

“O cão não transmite a doença diretamente para o tutor. Para que a transmissão aconteça o mosquito precisa picar um hospedeiro infectado, ingerindo assim a leishmania para depois transmiti-la para um novo indivíduo”, explica a médica veterinária e gerente de produtos da Unidade de Pets da Ceva Saúde Animal, Nathalia Fleming.

A doença age silenciosamente no organismo dos animais, por isso, mesmo infectados, os cães podem demorar anos para apresentar sinais clínicos. Estima-se que cerca de 60% dos animais são assintomáticos.

Entre os sintomas associados a enfermidade estão:  lesões de pele, emagrecimento, anemia, crescimento exacerbado das unhas, insuficiência renal e alterações oculares.  Além das manifestações visíveis, a doença compromete o funcionamento do organismo do pet e sua imunidade, o que pode gerar uma série de complicações e até mesmo levar o animal a óbito.

O diagnóstico da patologia é feito através da realização de exames, como a sorologia sanguínea. Os animais afetados precisam de tratamento e acompanhamento veterinário por toda vida, pois não existe cura para leishmaniose.

Desta maneira, a prevenção é indispensável para proteger os animais e conter os avanços da doença, que está disseminada por todo o país. “Evitar a ação do vetor é a melhor estratégia de controle para evitar a contaminação dos cães”, afirma Nathalia.

O conceito de dupla defesa é o mais indicado para a proteção dos cães, sendo citado como método preventivo da leishmaniose visceral canina pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) e pela Associação Mundial de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais (WSAVA).

A metodologia consiste no uso de duas medidas: vacinação e utilização de produto repelente. O objetivo é proteger o cão por fora (repelente) para evitar a picada do mosquito palha infectado e por dentro (vacina), caso o cão seja picado.

Além disso, é preciso investir também em estratégias para mitigar o desenvolvimento do vetor que se reproduz em locais úmidos, sombreados e que sejam ricos em matéria orgânica. Portanto, evitar o acumulo de matéria orgânica, como entulhos, folhas, fezes de animais e frutos em decomposição é fundamental para controlar o ciclo da doença.

A leishmaniose visceral canina é uma doença crônica que afeta o bem-estar e a vida dos animais contaminados, por isso é indispensável investir em medidas que permitam a proteção dos cães.

Para saber mais sobre a Leishmaniose Visceral Canina, acesse:

www.leishmaniosevisceralcanina.com.br

 

 

Fonte: Gisele Assis