Antes de qualquer dúvida, assumo que votei em Bolsonaro para presidente e votaria novamente no segundo turno, se hoje uma eleição trouxesse as mesmas chapas concorrentes. Ponto.

Semana sim, semana não, tudo na mesma. Nada significativo anda acontecendo, a não ser o desemprego e a fome de todo dia de um imenso batalhão de brasileiros. Lendo os jornais, acompanhando os canais de televisão, as rádios e principalmente os posts das redes sociais, impressiona a absoluta falta de notícias sérias num país que está, em várias de suas instâncias, quase absolutamente parado.

Estamos vivendo na periferia dos problemas reais, dos fatos do dia, esquecendo-nos de que temos quase 14 milhões de desempregados, outro tanto de famintos, de desabrigados pelas chuvas ou mesmo antes delas, engrossando favelas nos centros das cidades. Foram problemas herdados dos governos anteriores, concordo. Há três semanas que, ao lado do noticiário das chuvas, falamos na demissão de uma figura que meia dúzia de pessoas conhecia, ministro, ou vice-ministro, ou secretário da Casa Civil, que tomou um avião da FAB para ir a Davos e depois à Índia; demitiu, readmitiu, demitiu de novo. E, em paralelo, a novela da indicação de Regina Duarte como ministra da Cultura. Mudou o quê?

O próprio episódio da desconstrução do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, em torno do claro interesse de ter o controle da Polícia Federal, que balançou o governo nas últimas semanas, dá a dimensão de que não há articulação no Palácio do Planalto ou, se há, ela é desastrosa. Meras intrigas, capitaneadas por ministros da fila de trás ou por Olavo Ajato, esse coquetel de maluco, astrólogo, filósofo e instrutor de cursinhos de autoajuda, que manda ordens diretamente dos EUA, tudo serve para imprimir em qualquer um o mistério da conspiração esquerdista, do rótulo de comunista ou besteira parecida. Verdadeira paranoia. Brasileiro detesta comunismo.

Aprovou-se a Reforma da Previdência, palmas, e não podemos negar o protagonismo do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (este que agora querem crucificar em praça pública) e de Davi Alcolumbre. Andamos muito, reconheçamos, na área da Fazenda, com Paulo Guedes, embora os bancos continuem mandando, e muito, na nossa economia. Realizamos com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, que priorizou obras de interesse nacional e outras menores, essenciais em alguns Estados e municípios. O resto, sejamos honestos. A esperança de que evoluísse o tão desejado e festejado projeto de privatização de empresas cabides de emprego, ou ineficientes e caras para os contribuintes que pagam com impostos o sustento delas, em nada andou. Não temos sequer concebido e conhecido o formato a ser adotado para a privatização. (Aliás, em Minas Gerais, também não.) Na educação, na saúde, na habitação, nas relações exteriores e na própria segurança pública seguimos indigentes. O crime cresce, a corrupção nas polícias agiganta-se, a carência, a fome e a doença estão estampadas em imenso contingente da população com todas as suas cores, Brasil afora. Chega de acharmos que está tudo mudado ou no caminho da mudança.

Hoje ainda somos uma quimioterapia, protelatória e com inúmeros efeitos colaterais. Mentir que estamos muito melhor só agravará nossas misérias.

 

Fonte: Artigo publicado pelo jornal O Tempo, pág 2, em 04.fevereiro.2020