Uma realidade de violência acontece fortemente na Venezuela, com as repercussões pelas quais várias cidades brasileiras hoje pagam o preço, em nome da solidariedade aos povos amigos e necessitados. País que já foi uma das mais estáveis e afirmativas economias da América Latina, com a segunda maior reserva de petróleo do mundo, enfrenta uma sucessão de crises internas, em notório colapso político e econômico, que leva sua população a se submeter a um regime de carência absoluta, de fome e ampla miséria. É o que fazem ditadores sanguinários para se manterem no mando, ainda que seja de um povo sofrido, com sua liberdade cotidianamente ameaçada.

Com Maduro no poder, parece que a Venezuela não terá condições de se reerguer. Seus cidadãos, amparados por Brasil, Colômbia e Estados Unidos, seguem fugindo da violência e do extermínio. Em nome do ódio, o assassino Nicolás Maduro recusou a ajuda humanitária de alimentos e medicamentos que países sul-americanos enviaram ao seu povo, para socorrê-lo da doença, da fome e da carência absoluta.

No Chile, uma onda de protestos despertada pelo aumento de passagens do transporte de massa aqueceu o país, e o resultado teve o saldo de 146 pessoas parcialmente cegas, 1.400 fisicamente lesadas e dezenas de mortos. Quem ganhou com esse quadro?

Na Bolívia também dezenas de mortos, quase 800 feridos, centenas de pessoas encarceradas. O país em frangalhos ainda discute o exílio do ex-presidente Evo Morales, mas também o sepultamento de seus mortos. Uma agenda diária de conflitos entre opositores e defensores do mando daquele que luta por mais quatro anos de mandato como presidente da República, depois de três períodos seguidos, obtidos por meio de manobras que se serviram da fraude e do desrespeito à vontade de seu povo.

O ódio coletivo, instigado, nutrido, o ódio pelo ódio, tem essas consequências e não poupa as liberdades, o direito cidadão ao exercício e ao acesso à dignidade e, muitas vezes, à sua integridade e à sua vida.

Nas últimas semanas, em conflito de menor importância e, por isso mesmo, inaceitável pela violência que poderia ter gerado, um bando de boçais liderado por um boçal mais convicto, cuja única consciência é a da própria ignorância, quase provoca um tumulto nas arquibancadas do Mineirão, ameaçando um grupo pequeno de seguranças que tentava colocar ordem em exageradas manifestações de torcedores. Dedo em riste, empurrões, toda sorte de humilhações com cusparada no rosto de um desses seguranças, seguida de preconceituosa e nojenta manifestação, na qual se buscou ofender tal servidor pela sua cor. O boçal, obviamente, negou que tivesse chegado a tanto, até porque, como dissera, “meu cabeleireiro é um negro”. O caso está numa delegacia de polícia de BH; espera-se por justiça.

 

Fonte: Artigo publicado pelo jornal O Tempo, pág 2, em 19.Novembro.2019