Sem carteira assinada, FGTS, Aviso Prévio, Décimo Terceiro e INSS. Os novos contratados do Governo de Minas na área de segurança têm desprezados os direitos trabalhistas por conveniência de ambas as partes. Antecipam uma nova era. Em contrapartida pelos bons serviços prestados, eles recebem ração alimentícia em vez de salários. Apenas ela, de boa qualidade, procedência e balanceada, claro. A antiga e extinta Prominas, hoje um tentáculo da Codemge-Codemig, recorreu a este expediente na tentativa de preservar de possíveis prejuízos, surrupiamentos ou vandalização as obras inacabadas do seu centro de convenções na capital mineira. O estado, este ente abstrato que seduz a muitos e a uma maioria vampiriza, descobriu que se fizer uso de animais bravios expõe a uma maior segurança o patrimônio público. A histórica edificação do Minascentro é um bom exemplo. Localizado na Avenida Augusto de Lima, bem em frente ao Mercado Central, o lugar passa por mais uma ampla reforma. Deve beirar à décima, desde que abrigou a secretaria de Estado da Saúde, nas origens. Ele e a Igrejinha da Pampulha são recordistas em manutenção. Como a obra está paralisada, pelo menos aparentemente em sua parte externa, com tapumes e flagrante abandono, pois há meses do mesmo jeito, os responsáveis acharam por bem espalhar cartazes com anúncio de que o estabelecimento, ocupante de todo um quarteirão, abriga cães da raça Rottweiler. Os bichos graúdos resguardam as laterais do prédio, mas não avançam nos pedestres se provocados. Também não são dados a latidos, o que, por princípio, é uma qualidade, porque todos sabemos que cão que ladra, não morde.