Num mundo que, hoje, prima pelo individualismo e desprezo ao próximo, estender a mão a quem precisa é gesto humanitário. Sem esperar reciprocidade, melhor ainda. Uma ação de civilidade frente à coletividade, pois no fundo do peito ainda bate o coração. A crença conscienciosa no ser humano. No íntimo, o último refúgio da esperança. 
Uma mineirinha de fino trato pôs em prática no estrangeiro um aprendizado de berço para orgulho de seus pais. A seguir a sua carta, com o relato de uma história de final feliz, em tempos de infelicidade: 
O meu nome é Isabella Vieira Botelho. Sou mineira, de Belo Horizonte, assim como toda a minha família. Moro na Alemanha, mas tenho uma história para contar que acabou de ser veiculada no jornal alemão "Mitteldeutesche Zeittung", em anexo, que circula por todo o estado da Alta Saxônia. 
É uma história que envolve a solidariedade e acolhimento da família mineira (algo que é peculiar ao mineiro) para com uma família alemã.
Eu morava em Lisboa (fazia doutorado em Direito) e os meus pais Ivan Mauad Botelho e Heloísa Maria Vieira Botelho foram me visitar em abril deste ano. Durante esta visita, uma família alemã (da cidade de Halle, Alta Saxônia) bateu à porta da minha casa e pediu ajuda, uma vez que não conseguia se comunicar com o proprietário da casa que haviam alugado (ao lado da minha) para passar suas férias.
Como bons mineiros que somos, acolhemos o casal Andreas e Yvette Silbersack e os seus três filhos. Ajudamos com as malas e, com calma, tentamos dar o auxílio para que pudessem resolver a situação. Ao final, tudo se ajeitou. Arrumamos um hotel para a família e os colocamos em um táxi. 
No dia seguinte, fomos pegos de surpresa. De forma muito gentil, a família retornou a nossa casa, com um lindo cartão e uma garrafa de vinho. Foi a maneira que encontraram de nos agradecer pelo apoio recebido no dia anterior. 
Ficamos encantados com a atitude da família. Tomamos a garrafa de vinho juntos e conversamos.  Nesta conversa, descobrimos que tínhamos muito em comum: a paixão por vinhos e o Direito. O meu doutorado em Direito Civil era similar à área de atuação do escritório de advocacia do Andreas. 
A partir daí, surgiu um convite por parte dos Silbersack; eles me convidaram para conhecer sua cidade natal (Halle) e eu fui. Lá recebi um convite para trabalhar. Hoje estou aqui e muito feliz. 
Deixei para trás oito anos de carreira no Brasil como professora universitária de Direito. Neste momento, trabalho com uma de minhas paixões: vinhos.
Estou na companhia Winzervereinigung, na cidade de Freyburg, uma das regiões vinícolas mais encantadoras da Alemanha. Andreas é membro do conselho fiscal da empresa e me indicou para o trabalho. Mas os planos são muitos e o objetivo é aprender o alemão para poder voltar para a área jurídica, minha base de formação.
Mas o que eu quero passar com essa história cercada de oportunidades legais é que por meio de atitudes de solidariedade e acolhimento, sem pensar em nada em troca, podemos mudar nossas vidas...
E que eu gostaria de deixar registrado que sou apresentada na região como uma pessoa muito acolhedora, que ajudou uma família alemã. E é essa a imagem que o Brasil, por consequência, tem para eles. Um país de pessoas acolhedoras. Gostaria que vocês contassem a minha historia e a de minha família! Atenciosamente,
Isabella Vieira Botelho