Tem gente que desacredita do fato de que o homem pisou na lua. Para alguns outros, os movimentos de rotação e translação são uma contrariedade física ao princípio da horizontalidade do planeta. Uns terceiros, por sua vez, também do grupo de negativistas da ciência e da história, descreem que os brasileiros lutaram ao lado dos aliados na Segunda Guerra Mundial. Mais especificamente, na campanha da Itália, berço do fascismo de Mussolini, um aliado de Hitler. Meio a contragosto, visto que Getúlio Vargas tinha certa simpatia pelo Eixo, mas com o afundamento de vários navios brasileiros na costa do país foi impelido a ingressar no conflito. Estiveram lá, se muito, para fazer turismo, alegam os pernósticos e incomodados de toda natureza. 
Aqui está a prova de que a cobra fumou... Um diploma de "Ferimento em Ação", concedido pela Força Expedicionária Brasileira (FEB) ao terceiro sargento do Décimo Primeiro Regimento de Infantaria, Roberto Cavallari, combatente na região de Montese, expedido no dia 14 de abril de 1945, às vésperas do fim do trágico e histórico episódio, assinado pelo general de Divisão J.B. Mascarenhas de Moraes. A comenda foi endereçada a Petrópolis (RJ) no dia 21 de maio de 1947, assinada pelo major Júlio Gaertner Filho, em ofício do Ministério da Guerra. Ao oficial coube fazer com que a honraria chegasse às mãos do destinatário. O pracinha, nascido em 1917, embarcou para o Teatro de Operações de Guerra na Itália, em novembro de 1944. Ele fez alguns relatos de sua participação na guerra, cujo retorno se deu em 19 de setembro de 1945. Ao ser transferido para a reserva chegou ao posto de major, depois de 20 anos de bons serviços prestados à Pátria. Os documentos hoje fazem parte do acervo familiar do filho Humberto Henrique Cavallari.
 
No comando da patrulha
 
"Certa feita fui designado para comandar uma patrulha. Fazer contato com a Casa de Hércules, distante três quilômetros de nossas posições e que, segundo informações, existiam alemães em seu interior. Ao nos aproximarmos do objetivo procurei colocar o meu grupo de combate em posição a fim de dar cobertura aos elementos designados de realizar o reconhecimento. Nesse momento, ao destravar minha metralhadora de mão, ela disparou os trinta e dois tiros, alguns entre as pernas dos nossos soldados. Felizmente, ninguém saiu ferido. A casa não estava ocupada por alemães".
 
Morro Gorgolesco
 
"Nosso pelotão recebeu ordens para ocupar o Morro Gorgolesco. Havia informações que ele ainda estava em poder dos alemães. O pelotão comandado pelo tenente Dourado progrediu morro acima. Quando estávamos próximos da crista fomos metralhados e bombardeados com morteiros, ficando ferido o tenente Dourado, que ordenou nossa retirada de imediato. Debaixo de forte fogo inimigo, recuamos até a nossa base".
 
Ataque a Montese
 
"Em 14 de abril de 1945, nossa Companhia recebeu a incumbência de atacar o Monte Bufone, que ficava à direita da cidade de Montese. Nossa Companhia estava acantonada em La Casone. O terreno que tínhamos de progredir era plano e estava todo minado. Os caminhos existentes nessa planície estavam batidos pelas metralhadoras dos alemães. Depois de progredir uns cinquenta metros com meu Grupo de Combate, nos deparamos no flanco esquerdo com uma cerca viva, que continha duas casamatas alemãs fortemente armadas. Com disparos de bazucas e metralhadoras atacamos o inimigo e fizemos oito prisioneiros. Continuando nossa progressão, nos deparamos com o cemitério onde fomos atacados por metralhadoras. Ordenei aos soldados que fizessem disparos de bazuca e metralhadora nas posições inimigas no cemitério. A experiência guerreira alemã foi fatal para o meu Grupo, pois ao chegarmos bem perto de suas posições feriram o Cabo Auxiliar, três soldados e o meu braço esquerdo. O Grupo ficou reduzido a quatro homens. Ficamos em uma cratera de artilharia até a noite e recuamos ao Posto de Saúde Avançado".