Os recentes resultados divulgados do crescimento da economia brasileira, de 1,1% em 2019, não deixam dúvidas de que faltam ao governo projeto e velocidade para empreender as reformas econômicas necessárias e a tomada de medidas inadiáveis.

Primeiro, a culpa era da legislação trabalhista, reformada até além das expectativas no período Temer; esta, além de reduzir garantias que assustavam investidores, baixou sua espada sobre o sistema sindical, desarticulando a usina de taxas e contribuições há décadas bem nutrida por recolhimentos compulsórios sem justificativa. Depois veio a reforma da Previdência, proposta e concluída dentro do governo Bolsonaro, que também abriria as portas da nossa economia à bem-vinda participação do capital, especialmente o estrangeiro. Não nos chegaram tais investimentos, e o PIB teve majoração de minguado 1,1%.

Novo discurso do governo revela que esse índice já era esperado (por quem?) e que em 2020 será de 2%, em 2021, de 3% e em 2022, de 4%. Se tudo for bem. Meras figuras de linguagem se não avançarmos com o programa de reformas, administrativa e tributária, ambas vistas como prioritárias em relação até mesmo à da Previdência, que deveria ter incluído a extensão de seu texto aos Estados e municípios, hoje totalmente inviabilizados no seu funcionamento em decorrência dos custos que os seus sistemas de Previdência lhes impõem.

Se faltam grandes investimentos privados para alavancar fortemente a economia, se os grandes centros urbanos sofrem as consequências de um processo desordenado de inchação (e não de crescimento) em decorrência da migração interna, geradora do êxodo nas pequenas comunidades em direção às grandes cidades; se o poder público se vê a cada dia mais estrangulado pelos custos da falta de saúde da população depositada nas favelas, em áreas de risco e sem saneamento; se a segurança pública é a cada dia mais um problema social provocado pela violência, pela droga e pela falta de preparo e de educação, por que não se colocam os governos a empreender um caminho de interiorização da economia, por meio, por exemplo, do fomento a cooperativas agropecuárias, de serviços e de transformação da produção local?

 Há décadas queixa-se da expansão da favelização e de suas consequências. Fala-se todos os dias na repressão ao crime e à violência; em Minas, segundo matéria assinada pela jornalista Letícia Fontes em O TEMPO de ontem, investem-se R$ 170 milhões por mês para manter mal e porcamente o nosso sistema penitenciário, ao custo de R$ 2.500 para cada um dos 69,8 mil presos. Para quê? Aonde chegaremos insistindo nos atuais modelos?

 

Fonte: Artigo publicado no jornal O Tempo, pág 2, em 10.03.2020