Triste realidade a que estamos vivendo, decorrente da tragédia presente e futura, como pode se qualificar o coronavírus. Lamentável sob todos os aspectos, o que nos fica é a necessidade de a cada minuto priorizarmos os cuidados contra a propagação da doença; contudo, não são os agravos à saúde o mais grave do cenário que virá. Estes já estão dimensionados, e para eles há os recursos médicos, hospitalares e de medicamentos. Vão morrer pessoas, claro. Muitas, claro também, mas muito em consequência de um estado de falências físicas acumuladas no histórico dessas vítimas.

Algumas vivências sobressaem nessa crise, e em várias delas o que nos fica é a determinação de muitos, gestores e autoridades públicas, sanitaristas, líderes comunitários, a imprensa, no enfrentamento e no combate ao vírus. Prefeitos e secretários de Saúde dos municípios, dirigentes dos hospitais e das redes de atendimento, guardas municipais, policiais civis, militares e bombeiros, enfermeiros, médicos, cientistas, agentes de saúde, sente-se um engajamento total e que vai nos marcar para o resto das nossas vidas quando esse mal se desfizer, ainda que com inúmeras mortes.

Quem não sobreviver levará consigo o carinho, a assistência profissional e moral, a determinação, o empenho para salvar que toda a sociedade está tendo, junta, neste momento da vida. Fazendo o possível, porque, embora recursos sejam fundamentais, muito virá do trabalho e do carinho das pessoas, com sua capacidade de enxergar as necessidades que outros milhares têm, em níveis diversos, à espera da mitigação de seu sofrimento. Temos que nos preparar para o expressivo enxugamento das oportunidades de trabalho, consequência de um grande arrocho econômico que vai vitimar por anos todo o mundo. Prevê-se escassez de tudo: da produção, do comércio, dos serviços, do crédito, do dinheiro, da sua liquidez.

O momento, mais do que tudo, é de unir toda a nação em torno de uma mesma voz, para nos ocuparmos, com trabalho e isenção, da construção da ajuda e da solidariedade que o Brasil precisa entregar aos brasileiros. A hora é de termos grandeza, sem buscarmos culpas ou vantagens, sem timbres, marcas ou diferenças de qualquer natureza, especialmente de opções partidária ou ideológica, se de esquerda, de direita ou de centro, não importa. A hora é de sermos um só Brasil, se quisermos sobreviver.

 

Fonte: Artigo publicado pelo jornal O Tempo, pág 2, em 24.março.2020