A polêmica vivenciada pelo Brasil inteiro sobre a proibição da realização dos cultos religiosos, especialmente em relação a São Paulo e temporariamente a Belo Horizonte, esta depois de decretada pelo prefeito Alexandre Kalil, confunde o que ainda esteja legalmente inteligível neste momento de tantas incertezas e dificuldades. 

A decretação da proibição, na maioria das cidades brasileiras, de que pessoas se agrupassem, respeitando o distanciamento social, não foi um simples exercício de autoridade, um ato de vontades pessoais, um capricho ou uma opção ideológica, como têm batido alguns religiosos que contestam tais medidas; nem tampouco para se prejudicar os que creem de professar sua fé. Mas ninguém tem o direito de negar que milhares estão se contaminando a cada dia, chegando aos hospitais e centros de saúde sem possibilidade de serem atendidos pelo menos para ter uma esperança de salvar suas vidas; ou, mais grave, de ter uma morte com menos sofrimento.  

Fazer concentrações, aglomerar pessoas, ainda que com todos os cuidados, seja em reuniões, jogos de futebol, festas, baladas, missas ou cultos religiosos, é um crime contra a saúde pública, contra a coletividade, contra a economia e contra todos que estão investindo trabalho e milhões para tentar preservar vidas. Profissionais, Estado e empresas. 

Estamos tentando enxergar um futuro em conseguirão ficar de pé algumas atividades econômicas, mantendo empregos e pagando tributos, ainda que minimamente, e um ministro do STF, cego e surdo a essa realidade, em decisão monocrática, própria de seu equívoco em relação ao que o país está vivendo, permite que organizações religiosas encham suas igrejas de ingênuos, certamente para que estes possam levar às suas sacolinhas o que ainda lhes sobra antes da doença e da morte. 

Um assunto dessa natureza (como centenas de outros) não deveria ser objeto de análise do STF; mas, já que assim se entendeu, que sobre ele se decida com o rigor que vem da lucidez e do respeito ao interesse coletivo. O Brasil já sofreu muito com a irresponsabilidade do seu presidente da República, de seus ministros, de governadores, de muitos prefeitos, de quem, enfim, deveria tê-la para zelar pela vida dos brasileiros.

 

 

 

Fonte: Artigo veiculado pelo Jornal O Tempo, pág. 2, em 06.abril.2021