Belo Horizonte assistiu ontem – e os mesmos manifestantes prometem repetir hoje esses protestos – a milhares de pessoas, comerciantes, comerciários, prestadores de serviços, desempregados e muitos aí nem enquadrados, que foram à prefeitura para cobrar do prefeito Alexandre Kalil a flexibilização de seu decreto de fechamento de estabelecimentos que não se enquadrassem no que essa norma identifica como “serviços essenciais” e assim autorizados a operar regularmente. Todos alegavam a absoluta falta de abertura do prefeito da capital para discussão de critérios que venham a assegurar condições de respeito à saúde pública, mas também o funcionamento de suas atividades profissionais.

Muitos na manifestação de ontem, de maneira obviamente informal, realçavam informações que usavam para justificar que o decreto municipal está carregado de conflitos e que o prefeito Kalil, não fosse a sua postura repetidamente qualificada como “rude” e “deseducada”, poderia entender e rever as imposições de trancamento quase total da cidade. Aos gritos, muitos que se diziam desempregados, e sem ter como levar comida para suas famílias, gritaram que não sairiam do protesto e ainda levariam suas mulheres e filhos para acampar na porta da prefeitura.

Na verdade, e isso não se pode esconder, desde o início de novembro a população relaxou seus controles. No próprio ambiente de ontem, além da aglomeração que é condenada e qualificada como uma estupidez coletiva, sem qualquer preocupação com o adensamento de pessoas e desrespeito à recomendação elementar de distanciamento, ainda havia os que não usavam máscaras, um recurso simples, barato e injustificável não usá-lo, mesmo para aqueles que têm um QI de pomba.

As representações de empresários continuam sendo as que mais reagem e mais buscam sensibilizar os prefeitos das cidades onde estão os negócios de seus associados. Querem encontrar um caminho comum para passarem por ele, juntos. E nele têm que estar, necessariamente, o total respeito pela população aos protocolos sanitários e as empresas que movimentam as atividades econômicas, que pagam impostos, que geram empregos, que fornecem produtos e serviços. Ninguém poderá querer que o comércio volte a funcionar sem que se exija, sem quaisquer concessões, que seus clientes estejam usando máscaras, que disponibilizem para uso o álcool recomendado, que estejam presentes todas as condições de higiene necessárias para que se previna o aumento das taxas de contaminação, internação e morte. Sem se observarem tais quesitos, não há contra o que protestar. Porque essa conta, a da internação, a da medicação, a assistência social aos desempregados e aos que sobrevivem, depois da morte dos que põem dinheiro em casa, quem paga é o caixa do poder público.

Façamos a nossa parte, sem insanidade e valentias idiotas. Porque fora disso é a morte, e essa é uma conta muito mais pesada.

 

 

Artigo Publicado pelo Jornal O Tempo, Pág. 2, em 12.Janeiro.2021