Cinco meses de confinamento, fechamento quase total do comércio, redução da oferta e da prestação de serviços e inatividade quase a zero do turismo e suas atividades complementares – como hotelaria, bares e restaurantes –, do transporte aéreo e rodoviário de passageiros e da locação de imóveis e equipamentos. A atividade econômica em bom volume ficou reduzida à operação parcial da indústria, do comércio e a muito do trabalho prestado em regime de home office. Um desastre que vai custar muito à nossa economia, que tem, em sua grande maioria, se socorrido no apoio dado pelo Auxílio Emergencial, oferecido pelo governo federal.

Neste cenário de horrores, apenas os bancos e o funcionalismo público ficaram incólumes e preservados; o resto, se arrasta e sobrevive, com esperança.

O dito de Euclides da Cunha, em “Os Sertões”, reserva ao sertanejo o reconhecimento de que ele é, antes de tudo, um forte; na verdade, os brasileiros o são. Fortes e persistentes. Ainda que submetidos ao que foi esse intenso paradeiro, hoje ainda desalentador, mas que passará.

Sentem-se mudanças, com a ajuda de Deus e de muitos, em especial daqueles que nos serviços públicos de saúde se colocam com coragem e sentimento do dever para com a coletividade. E também de muitos empresários e destacados gestores públicos, que só conhecem o trabalho, o compromisso e a produção como caminho de fé.

Quem viu as cidades mais urbanas nesse último fim de semana percebeu o quanto o Brasil esteve acachapado, paralisado pelo justo medo do contágio e da morte. A reação está no que as TVs mostraram: praias lotadas, sem se observarem, o que não é bom, as restrições mínimas de distanciamento na areia; filas nos shoppings, nos bares e nos restaurantes, intenso fluxo de veículos nas cidades e nas estradas, um verdadeiro estouro da boiada.

O país teve um fim de semana mais alegre, e esperamos que as consequências, que Deus nos ajude, não nos desestimulem. À menor flexibilização sentiu-se que não havia mais como ficar em casa, sob a intimidação dos boletins e das estatísticas – reais, é verdade – assinadas pelas autoridades de saúde. Tenhamos fé que essa desgraça esteja passando.

Se ainda temos dificuldades, e essas são inegáveis, temos que também comemorar as mudanças de perfil de várias atividades e os números lidos em algumas regiões do país; na pacata economia do Norte e do Nordeste, o comércio vendeu mais, embora isso seja resultado do passageiro Auxílio Emergencial; pelo menos tem-se o sinal do quanto custariam projetos para movimentar essas regiões. O agronegócio, em todos os seus segmentos, tem deixado – e assim vai seguir – excelentes perspectivas, através da valorização de seus produtos, o que também sucedeu com os resultados da mineração.

Uma economia tão diversificada como a nossa, num país onde o clima é um aliado, com sol, água e reservas naturais únicas e abundantes, um povo pacífico e trabalhador, só não cresce se não quiser. Vamos querer e lutar.

 

 

Fonte: Artigo veiculado pelo jornal O Tempo, pág 2, em 01.setembro.2020