É triste, mas é verdade: o Brasil vive um dos piores momentos de sua história política e econômica.

Novamente confesso ter votado em Bolsonaro – primeiro, por falta de opção, porque não considerava confiável um candidato à Presidência da República que diariamente amanhecia em Curitiba, na porta da cela de Lula, para receber o rol de tarefas do dia; e, em segundo, por acreditar na perspectiva de mudanças que se anunciavam, na desejada despedida de um longo período de deslavada corrupção e falcatruas as mais repugnantes e diversas. 

O governo que aí está é, com pequenas mudanças de cenário e de atores, a mesma merda de vários outros que passaram pelo comando deste país, com a diferença de que, exceção para o período em que tivemos Dilma Roussef na Presidência, pelo menos tínhamos o respeito da comunidade internacional; éramos respeitados como nação, diferentemente de hoje, quando temos um ministro das Relações Exteriores idiota, incapaz, sem a dimensão do seu cargo e totalmente eclipsado pelo filho do presidente, que assume, por conta própria, as vezes de chanceler.

Quanto ao presidente, os resultados de sua arrogância e despreparo aparecerão mais rapidamente do que o imaginado.

Lamentavelmente, com graves custos para nós, brasileiros, como está sendo a agenda de vacinação, de total descontrole da pandemia, a sucessão na Petrobras e, graças a Deus aquietado a tempo, a relação comercial com a China, que, tendo mais o que fazer, não deu ouvidos a ele nem ao seu “Filho 03” na sua estúpida forma de se relacionar com um parceiro da importância que ela nos representa. 

É certo que a pandemia não estava no radar do governo de nenhum país.

O mundo se surpreendeu e se projetou no maior desespero da história mais recente, todos absolutamente despreparados para enfrentar um quadro de mortes aos milhões, hospitais saturados, falta de medicamentos, paralização das atividades econômicas (exceto daquelas que se mostraram necessárias e insubstituíveis no que produziam e entregavam).

Durante meses, não tivemos perspectiva de vacinas nem de medicamentos que assegurassem a cura de um mal que se transformou em pandemia. 

Para o Brasil, devido às suas dimensões geográficas, às suas diferenças sociais e à falta de meios para enfrentar um problema – que também é grave para o resto do mundo, até para os países mais ricos –, as dificuldades não seriam brandas para todos nós (na verdade, têm sido péssimas).  

Porém, a inconsequência desse governo – cujo chefe não ouve ninguém, nem mesmo seus ministros; que entrega um ministério sempre estratégico e mais ainda neste momento a um incapaz como o que temos à frente da Saúde; que agora ressuscita o centrão, pior antro do Congresso que ele jurou combater como bandeira de campanha, para colocar nas ruas a própria reeleição; que rasga o Orçamento, desconhecendo os perigos de uma economia desgovernada e sem projeto nem fiscal, nem de geração de emprego, nem de internalização da economia como saída para aliviar as pressões nos grandes centros; que zomba grosseiramente e como um palhaço da morte dos seus compatriotas; que desacredita a ciência e a pesquisa para se arvorar em médico ou curandeiro – está nos conduzindo para onde? 

Chega de dizer que a culpa é da Globo, da Câmara, do Senado, da grande imprensa, do STF, de Iemanjá, da mãe do repórter que ele desrespeita sabendo que não haverá reação à sua altura, que é a mais rasteira.

O país está indo para o buraco, e estamos batendo palma nos cercadinhos de puxa-sacos que sua irresponsabilidade monta para seu delírio boçal.

Já caímos para 12º lugar no ranking das nações em desenvolvimento, e esse exemplo nós já vimos. Insistimos em acreditar que a corrupção está sendo combatida: mentira.

Ele não consegue nem mesmo combatê-la dentro de casa, porque seu filho compra um palacete que vale R$ 15 milhões por R$ 6 milhões e diz que o dinheiro veio da venda de paçoca e chocolate.

Esse filme é velho. Acabou. Vamos acordar.

 

 

 

Fonte: Artigo publicado pelo jornal O Tempo, pág. 2, em 09.março.2021