Cientistas israelenses da empresa de biotecnologia Bonus BioGroup afirmam ter conseguido 100% de sucesso na recuperação de pacientes graves internados com o novo coronavírus (Covid-19) por meio da administração de um medicamento chamado MesenCure. 

Em matéria publicada no The Jerusalem Post, no sábado (29/05), os pesquisadores disseram que o fármaco conseguiu reduzir em 40% a inflamação pulmonar das pessoas que receberam a droga, fazendo com que elas deixassem o hospital no período de, em média, um dia após o início da terapia. 

Os resultados preliminares dos ensaios clínicos de fase I/II foram apresentados em uma conferência internacional em Nova Orleans, nos Estados Unidos, na última semana. Nesse sentido, o CEO e diretor da companhia, Shai Meretzki, destacou que sua equipe de pesquisadores está trabalhando na publicação desses dados em um veículo especializado para a revisão de pares. 

Já Shadi Hamoud, que é o vice-diretor do Departamento de Medicina Interna do Rambam Health Care Campus, em Haifa, local em que aconteceu os estudos, revelou otimismo com a pesquisa. “Até agora, os resultados do tratamento com o medicamento MesenCure são extremamente impressionantes”, afirmou ele, segundo o jornal israelense. 

De acordo com Hamoud, os 10 pacientes que foram tratados com o fármaco têm entre 45 e 75 anos, a maioria (90%) tinha comorbidades e todos estavam internados com sintomas graves da Covid-19. 

Os cientistas ainda teriam acompanhado esses pacientes durante 30 dias após o início da terapia. Um paciente faleceu, mas não em decorrência da Covid-19, pois essa vítima teria uma doença preexistente. 

Já em relação à melhora dos demais pacientes, os dados mostram que nos 5 primeiros dias de tratamento houve redução de 40% na inflamação pulmonar – de 55% para 15%. Um mês depois, os índices inflamatórios reduziram ainda mais, ficando em apenas 1%. 

Esses pacientes ainda teriam apresentado melhora significativa da função respiratória. Além disso, eles também tiveram resultados positivos na saturação de oxigênio no sangue, que subiu para 95%. 

Cautela 

Apesar dos testes animadores é preciso ter cautela. Nesse sentido, cabe destacar um lembrete do farmacêutico e professor da pós-graduação em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica no ICTQ, Rafael Poloni, que ressalta que “a ciência é a maior arma contra o novo coronavírus”. 

Por isso, mais testes científicos e com maior número de pessoas precisam ser realizados para, de fato, atestar a eficácia e a segurança deste novo medicamento desenvolvido pelos cientistas em Israel. 

Ainda de acordo com a informação do The Jerusalem Post, na próxima fase de testes clínicos o medicamento será administrado em 50 pacientes. Devido ao baixo número de novos casos de Covid-19 em território israelense, a empresa solicitou a aprovação para realizar essa fase da pesquisa na Europa. 

 

 

Fonte: ICTQ -Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade