A gestão pública não é atividade para amadores, para experimentações sem lógica, para ser conduzida com matemáticas de ocasião. Tampouco para servir a interesses particulares, a acordos de partidos, ao empreguismo e a paixões, partidárias ou pessoais. Muito menos ainda para permitir a corrupção, um ralo de dinheiro por onde escoam recursos que deveriam ser empregados em políticas notoriamente desassistidas no Brasil, de norte a sul, de leste a oeste: é um clichê, mas é também uma vergonha histórica a inversão de prioridades que se nota na educação, na saúde, na oferta de habitação e no saneamento básico, carências que, se somadas, geram a miséria, a insegurança, “o maldividido trabalho de muitos”.

Entre os princípios básicos de seu exercício com êxito, além da transparência, estão o inegociável respeito à coisa pública e a obrigatória entrega ao coletivo de suas ações. O repertório dos insucessos é farto de exemplos que se deram buscando os caminhos inversos; são geralmente os que se beneficiaram com o empreguismo e o inchaço das folhas de pagamento como forma de apadrinhamento de amigos e correligionários, com o descuido para com os direitos e com o patrimônio públicos, com a fraude em licitações e nas contratações. 

O incontido desejo de privatização que está na cabeça de grande parcela dos brasileiros reflete esse sentimento de inconformismo, o de que, sempre que um serviço é retirado das mãos do poder público, em qualquer instância, seja federal, estadual ou municipal, os resultados produzidos são outros. E não quer dizer que sejam os resultados da empresa eventualmente privatizada, mas aqueles que a fizeram surgir. Empresas públicas são criadas, ou só deveriam sê-lo, para atender demandas coletivas pelas quais a iniciativa privada não se interessa ou quando esta não tem capital para atender as metas identificadas. 

No Brasil, e infelizmente, não há exemplos que contrariem essa premissa: as nossas empresas públicas geralmente atendem muito pior do que as empresas privadas (ou privatizadas) de energia, de telecomunicações, de execução e conservação de vias e estradas, de saneamento básico, geralmente donas de monopólios que as desobrigam da eficiência, do respeito ao consumidor, das lógicas de mercado. 

Economias liberais, Estados atentos à extensão de sua mão para onde ela é apenas imprescindível, não concorrente e não inibidora, e municípios que se dedicam a preparar seus cidadãos com boa saúde, boa educação, com investimentos em infraestrutura para deslocamento e transporte econômicos, sem corrupção, são bem-vistos como destino de bons investimentos. Ontem, a imprensa de Minas, por exemplo, trouxe a notícia de que em Betim será instalada uma nova estrutura logística para atender à multinacional Amazon. Essa é uma opção que se funda obviamente na conjugação das facilidades que a cidade demonstra e que a torna atraente ao capital privado, que geram receitas e empregos (pela Amazon serão criados 500 novos empregos diretos e indiretos e investidos R$ 120 milhões), movimentam a economia, o crédito, os serviços e o comércio. Parabéns a Betim, uma cidade modelar pelas suas qualidades e por sua administração.

 

 

 

Fonte: Artigo publicado pelo jornal O Tempo, pág 2, em 10.novembro.2020