Por meio de suas autoridades sanitárias, a China confirmou, nesta terça-feira (01/06), a detecção do primeiro caso no mundo de gripe aviária H10N3 em humanos. Em nota, a Comissão Nacional de Saúde (NHC, em sigla original) daquele país destacou que, antes dessa confirmação, nunca houve uma situação de contágio humano deste vírus.

Nesse sentido, o órgão tratou esse caso como uma transmissão “acidental”, assegurando que o risco de propagação em larga escala é “muito baixo”.

“Nenhum caso humano de H10N3 foi relatado no mundo (até então) e o vírus entre as aves é de baixa patogenicidade. Este caso é uma transmissão ocasional de aves para humanos, e o risco de disseminação em grande escala é extremamente baixo”, destacou a NHC, por meio de comunicado.

O paciente infectado é um homem de 41 anos, residente na cidade de Zhenjiang. Segundo a Comissão, ele começou a sentir febre e outros sintomas em 23 de abril, sendo hospitalizado cinco dias depois, devido ao seu estado de saúde ter piorado.

Contudo, a NHC destaca que, após um período de internação, o paciente recebeu alta. Além disso, as autoridades sanitárias chinesas garantem ter realizado um acompanhamento com todas as pessoas que tiveram contato com o homem, não encontrando nenhum sinal de anormalidade.

O vírus

O H10N3 é um subtipo do vírus Influenza A, que muitas pessoas também conhecem por agente viral responsável pela gripe aviária. De acordo com o vice-diretor do Departamento de Biologia Patogênica da Universidade de Wuhan, Yang Zhanqiu, esse patógeno costuma ser letal para as aves.

Em entrevista ao jornal Global Times, Zhanqiu explicou que o H10N3 pode ser transmitido por meio de gotículas respiratórias – processo semelhante ao do novo coronavírus. Ele ressaltou ainda que, provavelmente, foi desta maneira que o homem foi infectado.

Entretanto, Zhanqiu enfatizou que não há evidências de que essa transmissão possa acontecer por meio de gotículas de um ser humano para o outro.  

Contudo, no sentido de alertar à população, a NHC orientou os cidadãos chineses para que evitem o contato diário com aves mortas e tenham cautela no trato com as vivas, bem como pediu para que cuidem da higiene alimentar e procurem imediatamente um hospital em caso de sentir sintomas como febre ou dificuldades respiratórias, segundo o Estadão. 

Sempre alerta

Para o farmacêutico Rafael Poloni, que é professor da pós-graduação em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica no ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, é importante que as autoridades em saúde fiquem sempre em alerta quando se trata de agentes virais.

“A pandemia do novo coronavírus está sendo um aprendizado para todos. As autoridades em saúde precisam estar antenadas nas notícias e alertar os especialistas do mundo inteiro em relação aos temas que impactam à saúde da população’, destacou ele, por meio de entrevista exclusiva à equipe de jornalismo do ICTQ.

 

Fonte: ICTQ -  Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade