O ministro Paulo Guedes estruturou as prioridades de sua pasta em dois pilares distintos e, para sucesso de seu trabalho, inegociáveis: o controle dos gastos públicos e a redução do estoque da dívida pública.

A aprovação da reforma da Previdência, que consumiu todas as ações e concessões políticas do atual governo em 2019, foi o ato maior de coragem empreendido por Guedes e pelo grupo por ele liderado para colocar de pé o citado projeto, alardeado como a peça fundamental para que o país se reencontrasse com o desenvolvimento, financiado pelo interesse de investidores internacionais que apenas a esperavam aprovada para desembarcar no Brasil com seus bilhões de dólares. Tais aportes iriam financiar o crescimento da indústria, dos serviços e do agronegócio e a infraestrutura, setores absolutamente carentes de recursos para sua modernização e expansão.

O Brasil não tem poupança interna capaz de incrementar investimentos substantivos e suficientes para mudar o perfil da nossa economia; mas também, ao que se viu, somente a reforma da Previdência não teve força para atrair investimento algum, e o governo seguiu sempre dourando a pílula para não deixar a peteca cair. A gasolina, o gás de cozinha, o preço da cesta básica e dos serviços públicos em nada se reduziram; ao contrário, subiram, e muito. O déficit primário de R$ 95 bilhões, vendido como o mais baixo dos últimos cinco anos não fosse o leilão do petróleo que entregou ao Tesouro R$ 70 bilhões, teria sido maior do que a de todos os anos anteriores. Mérito para os que conseguiram movimentar o leilão, mas paramos por aí. Nada mais aconteceu.

Felizmente ou não, nosso caminho é o da privatização das empresas que ainda podem ser atrativas aos investidores externos. O BNDES tem nas mãos dezenas delas, que podem render muito além dos R$ 20 bilhões que o banco recebeu e devolveu ao Tesouro, com a venda de sua participação na Petrobras. Esta é a bandeira que precisamos levantar, a da privatização, para fecharmos portas ainda operadas por políticos em troca de votos no Congresso, como a nossa história registra e, por isso, não cessa de anotar prejuízos.

Em Minas, por exemplo, além das rodovias cujas concessões andam a passos de cágado (por enquanto, com acento), temos dezenas de prédios e terrenos públicos à espera de invasões ou negócios, que poderiam ser absorvidos por investidores privados. Ceasa é outro exemplo, hoje nas mãos de administradores destacados pela incompetência e pelo flagrante desserviço com o que não fazem.

Por quê? A quem interessa que tais descasos sejam mantidos? Ou essas medidas serão promessas para a próxima campanha?

 

Fonte: Artigo publicado pelo jornal O Tempo, pág. 2, em 18.02.2020