Presidente do Conselho de Comunicação da ACMinas, o publicitário Hélio Marques Faria reiniciou os trabalhos na última terça-feira com convite a palestras de Roberto Bastianetto, subsecretário de comunicação do Governo de Minas, e André Lacerda, presidente do Sindicato das Agências de Propaganda de MG. Segundo ele, o aglomerado da comunicação mineira, reunido em 33 entidades, movimenta R$ 2,5 bilhões com 120 mil empregos. O momento não é bom, reconheceu o dirigente de classe. "Somos uma indústria que move outras indústrias", observou Lacerda, "porque cada R$ 1 aplicado no segmento se desdobra em R$ 10 na economia". Bastianetto, por sua vez, à frente da comunicação no governo Romeu Zema, informou que assumiu o posto com dívida herdada superior a R$ 12 milhões junto a fornecedores e veículos. A despeito de todas as adversidades financeiras do estado, explicou, já saldou mais da metade, ou seja, R$ 6,5 milhões. Ele teceu elogios à campanha que apresenta aos mineiros o destroçamento da administração pública ao longo dos anos, particularmente na educação e saúde. Um quadro triste e dramático, advindo do baixo orçamento. Adiantou ainda que, em breve, novas campanhas virão com o carimbo exclusivo de "utilidade pública". Oriundo do meio publicitário, Bastianetto disse conhecer bem o mercado. Ou seja, tem consciência plena da importância dos investimentos do setor público na área, inclusive no tocante à sua dependência e sobrevivência. O mercado mineiro de comunicação caiu de terceiro para quinto lugar em faturamento. Houve uma redução drástica no cenário da presença de anunciantes institucionais de bens de consumo. Além disso, a clientela mineira tem trocado agencias locais por de outros estados, quando não se transferem para além das fronteiras. As agências acusaram ainda anunciantes de inserções publicitárias diretas, especialmente no caso das tevês abertas, sem as devidas remunerações; a opção de clientes por "houses" em detrimento das agências; a pouca atuação política favorável ao aglomerado no âmbito local e federal; e a ausência de empresa mineira no bolo publicitário nacional com R$ 3 bilhões em verbas. Este setor agrega agencias de publicidade, agências de web, produtoras de áudio e vídeo, gráficas, locutores, designers, revistas, jornais, sites, portais, emissoras, mídia exterior, assessoria de imprensa, relações públicas e empresas de comunicação corporativas. A bem da verdade, a indústria de comunicação enfrenta dura realidade. A economia estadual, desde sempre, se sustenta em produtos primários: leite e café. Por outro lado, a mineração e o agronegócio em bruto. Por conseguinte, sem valor agregado. Este conglomerado sofreu direta ou indiretamente com a revolucionária entrada da tecnologia da informação no mercado. A mídia tradicional se encontra combalida com a colossal intromissão da internet na vida de cidadãos e corporações. Esse contato, segundo a tendência, grosso modo se dará cada vez mais sem intermediários. Um quadro de acomodação ainda não ocorreu nesta complexa atividade que, embora de suma importância para a sociedade, foi atropelada pela contemporaneidade. É aguardada uma declinante e brutal redução de investimentos públicos no setor, a princípio, visto que a comunicação hoje se faz quase que individualizada por meio de celulares. As ferramentas são de fácil acesso e mais baratas, com reflexos ainda não mensurados na empregabilidade.