ARTESANAL - Com vasto currículo junto à iniciativa pública e privada, o ex-presidente da Codemig, este seu último posto, Marco Antônio Castelo Branco, agora se esbalda em atividades etílicas. Não apenas como levantador de espumosas tulipas, mas no papel de empresário à frente da cervejaria Krug Beer, uma das pioneiras marcas artesanais da capital mineira.
 
AUTOBIOGRAFIA - O ex-governador Eduardo Azeredo completa a fase final do livro escrito à mão no período em que esteve preso no Corpo de Bombeiros, no bairro Funcionários. O grosso do material, ressalvou, é de sua lavra memorialística. Ninguém melhor do que ele para contar a própria história com suas peculiaridades. Auxiliou-o na revisão e pesquisa o experiente jornalista Chico Brant, amigo dileto. Se antes manuscrita, a obra hoje se encontra no computador para os últimos ajustes.
 
CACHAÇA - O ex-governador Newton Cardoso se regozija com a produção da cachaça intitulada "Bolsonaro", com rótulo em verde e amarelo, em seus domínios rurais. Ele conta aos amigos que a homenagem sensibilizou, ou melhor, já foi degustada pelo presidente da República. Este prometeu, ainda para este ano, uma visita à fazenda "Rio Rancho", em Pitangui, para desfrutar da sua gastronomia e hospitalidade.
 
BIODIVERSIDADE - O jornalista Tilden Santiago, ex-deputado federal e ex-embaixador brasileiro em Cuba, passou por cirurgia. Enfrentou a instalação de prótese na cabeça do fêmur. À véspera de tornar-se um septuagenário, enquanto se recupera, ele trabalha no lançamento para breve de um instituto voltado à preservação sustentável do meio ambiente. A informação é de seu filho Wladimir, o "Wlado".
 
ESCANTEADOS - Franceses unidos, de variados matizes ideológicos e trabalhistas, bateram o pé. O suficiente para o governo Macron voltar atrás na ameaça de mexer na previdência. A postura "Cordeirinho de Jesus" da ampla maioria da sociedade trabalhadora brasileira consentiu ao Governo Federal o destrambelhamento do sistema operacional do INSS, embora este soubesse por antecipação que mudanças ocorreriam na sua estrutura por força da aprovação de mudanças propostas pelo Congresso. Aposentados e inativos foram mais uma vez jogados para escanteio. O deficiente atendimento da Previdência requer prazo de vários meses para demandas que são direitos. O imbróglio, com certeza, será alvo de milhares de ações na Justiça.
 
ANTENADOS- Cerca de 6 mil de estudantes, com domínio pleno das redes sociais, entretanto, fizeram um pandemônio com a área de educação do Governo Federal, a partir da denúncia de uma sequência de erros em gabaritos no Enem. Hoje, desmoralizado. Se os velhinhos do INSS, na faixa de 1,5 milhão ou mais, soubessem mexer com desenvoltura em smartphones, celulares, tablets e computadores, talvez o país parasse em 24 horas, pois o assunto é sério e de sobrevivência. A modernidade tecnológica, porém, parece ser inerente aos jovens. Os anciãos são desmobilizados, parte longeva de uma sociedade que abomina-os. País civilizado se constrói com a valoração de duas gerações. A que chega, pois vai fazer; a que fez, por mérito. Por isso, tudo às crianças e aos idosos! 
 
ARRECADADOR - Muitos dos liberais de carteirinha, agora de linhagem austríaca, esse o modismo na área, vivem a pregar a necessidade de o estado passar ao largo das atividades econômicas. Quanto menor e distante a inserção deste ente abstrato no cotidiano, entendem, mais o país tende a crescer e se desenvolver. No Brasil, porém, o estado é sócio majoritário em todo empreendimento privado. A título de exemplo: o proprietário de um carro simplório batizado há uma década, com velocímetro próximo de 100 mil quilômetros, desembolsou R$ 820 de IPVA, mais R$ 120 de taxa de licenciamento (Itamar Franco) e R$ 5 de DPVAT. Toda essa grana na gôndola da obrigatoriedade. Uma vez ao ano, o fulaninho pinga quase R$ 1 mil à seguradora, sob risco de ter o bem surrupiado ou depenado. Ou seja, o carrinho velho tira-lhe R$ 2 mil por ano, isso se não tiver multa. Nem se entra aqui no mérito dos impostos sobre combustível. A isso se chama Projeto Caracu: o cidadão entra com o suor de seu trabalho e o estado com o sorriso típico da ganância.
 
FILATELIA - Ninguém escreve mais ao coronel, diria, se vivo, Gabriel Garcia Márquez. Poucos atentaram para o fato de que o Correios aumentou de R$ 1,30 para R$ 2,05 a correspondência simples em suas agências e franquias. Claro, não houve chiadeiras, como de costume, por absoluta falta de sintonia entre os mundos oficial e civil. O serviço de entrega de correspondência, antes na média de três dias úteis na capital, agora demora de uma semana para cima. Isso, quando a carta não se extravia, o que virou uma rotina também. Os franqueadores ensaiaram um movimento para a compra do Correios na anunciada privatização. Noves fora, chegaram à conclusão de que não têm bala na agulha. 
 
GENEALÓGICA - Vários profissionais liberais, geralmente acima de 60 anos e com a vida estabelecida pela idade, patrimônio ou aposentadoria, se habilitam a dupla cidadania em Portugal. Um bando deles originários de BH, alguns de nomes notórios. Um outro elemento se integra a esse cardápio de possibilidades pátrias: a descendência genética de judeus, depois cristãos novos, que se mandaram de terras lusitanas por temor à Inquisição, que, aliás, tem um museu muito interessante na região da Pampulha. Muitos deles vieram parar na Terra de Santa Cruz.
 
CARESTIA - A inflação, dizem as loucas estatísticas oficiais, está sob controle há vários anos no país. Detalhe, com variáveis médias de 4% a 5%. Nada justifica, porém, o custo de vida nos grandes centros urbanos. A isso se chama carestia. Os preços estão pela hora da morte. Grosso modo, a referência para quase tudo se situava na faixa de R$ 5, até uns quatro ou cinco anos passados, no setor hortifrutigranjeiro. Na padaria nossa de cada dia, o pote de manteiga, somente ele, custa hoje em torno de R$ 15. Em qualquer sacolão os preços são um ultraje. Uma família pequena antes tinha a garantia de frutas, verduras e legumes por uma semana com gastos de R$ 30 a R$ 40. E olhe lá, sem um naco de queijo, tão caro ao sabor dos mineiros, que não sai por menos de R$ 20. Os supermercados estuporam um mínimo de R$ 100 com o básico do básico doméstico. Na área de prestação de serviços, então, ninguém se desloca por menos de R$ 200\dia. Cada qual que se habilite na pintura, mecânica, eletricidade, hidráulica, etc, se não estiver disposto a liquidar com o orçamento mensal.