O público que assistiu às últimas apresentações do grupo Corpo, em torno do espetáculo com músicas de Philip Glass, Uakti e Gilberto Gil, com um mínimo de informações sobre o que ocorre na atual administração estadual, saiu do Palácio das Artes, no fim de semana passado, com uma baita interrogação na cabeça. O governador Romeu Zema (Novo) não se cansa de falar da necessidade de privatização da Cemig e Copasa. Ele fez disso uma meta de gestão, referendada em pronunciamentos vários, desde a primeira hora. Certamente, por recomendação federal. Salim Mattar e Paulo Guedes à frente, sob risco de não fechar um razoável acordo em torno da monstruosa dívida do Estado. A empresa de energia elétrica, contudo, fez mostrar à platéia, por meio de um filmete institucional, que é um patrimônio grandioso dos mineiros. Uma maravilha de empreendimento, inclusive com ações na bolsa de valores de New York (EUA). A imagem passada ao gentio mexe com seu orgulho, hoje calcado na baixa-estima. A performance da Cemig no setor energético brasileiro chega a ser um deslumbre, de acordo com a peça publicitária. Sem o conhecimento de um minucioso diagnóstico contábil-financeiro da empresa, o poupador comum, cada vez mais raro, num país que, pelo visto, abominou de vez o crescimento econômico, saiu do show lamentando a pindaíba e, consequentemente, a falta de uns caraminguás para investir em suas ações. Todo mundo sabe que aquela casa de shows tem um camarote destinado às autoridades. Zema precisa ver o filme da Cemig com urgência. Para não seguir mordendo a língua ou desatar o choque das contradições. Ah! O Grupo Corpo, doravante, será patrocinado pela Cemig, com um trabalho artístico moderno, de bela cenografia e figurino, digno de frequentar os melhores palcos do mundo.