Iniciada oficialmente a temporada eleitoral para escolha dos próximos prefeitos e vereadores nos municípios brasileiros, já se consegue perceber o que pensam alguns concorrentes a esses cargos. Os institutos de pesquisa há dias deixaram escapar preferências que o desinteresse do eleitorado pouco ou nada fará mudar. O povo, no geral, está distante do pleito, ainda que seja nas cidades onde estão muitas soluções daquilo que representa o primeiro impacto no seu cotidiano, que ele sofre, e, assim, ele tem como avaliar pessoalmente as boas e as más administrações. 

Há cidades em que os prefeitos pouco ou nada fizeram, nada mudaram e ainda conseguiram, com seus equívocos, pelo desprezo pela coisa pública, piorar o que já não era bom. Vendo certas administrações, é possível sentirmos como é fácil destruir cidades inteiras, conservar sem perspectiva de mudanças os defeitos que estas carregam há décadas, piorar a educação, a saúde, a mobilidade urbana, desestimular investimentos, afrontar os que lhes cobram mudanças com frases grosseiras e desculpas  torpes. Mas, ainda assim, candidatam-se à reeleição. 

Outros deixaram marcas horríveis por passagens anteriores que tiveram na condução de suas cidades e também assim, mesmo acusados das piores práticas ou da absoluta falta de trabalho, por isso desalojados do poder em eleições anteriores, querem voltar com apelos e promessas que fazem ao eleitorado, como se estivessem pastoreando um bando de idiotas. 

Há, óbvio, os que têm programas reais, factíveis, possíveis de cumprimento e entrega, testados em suas passagens ou atual presença, muitos desses que tentam sua reeleição e cujo trabalho significou e sempre significará uma mudança renovadora, concreta, palpável, que o eleitor poderá ver ampliada onde se põe o gênio transformador do verdadeiro gestor e administrador. 

Se é fácil e sensível à população perceber a inércia, a preguiça, a desonestidade, a incúria de muitos de seus políticos, é também fácil ver onde estão o trabalho, a atenção ao interesse social e coletivo, sempre traduzido naquilo que representa a devolução pelo poder público – por meio de ações, obras, direitos – da confiança que receberam para dessa forma se relacionarem com o poder que lhes fora outorgado pelo voto. 

Esta é a hora de votarmos nos que queremos que sejam prefeitos e vereadores para os próximos quatro anos. Para não reclamarmos de ninguém cuja escolha nós mesmos fizemos, por direito. 

 

 

 

Fonte: Artigo veiculado pelo jornal O Tempo, pág. 2, em 06.outubro.2020