O governo de Minas tem amargado uma agonia por dia, na sua batalha necessária de colocar como minimamente ajustadas as finanças do Estado. Ajustadas para o funcionamento da máquina, nas suas obrigações essenciais, intransferíveis e inadiáveis. Não há milagres quando faltam recursos e não há como inventá-los nem de onde tirá-los.

Essa situação de penúria já era difícil antes da pandemia e previsível num futuro muito próximo, e a única vacina disponível sempre foi gastar menos, cortar desperdícios e privilégios de qualquer natureza, além de aumentar a eficiência da administração, o que efetivamente não é uma realidade nos resultados que conhecemos. Em todos os seus segmentos, com honrosas exceções, os serviços públicos têm muito que melhorar. É hipocrisia esconder ou não se admitir algo isso.

Desde a última quinta-feira, 15, estão fechados o Detran e as delegacias de polícia, por encaminhamento do sindicato da categoria, e a orientação, extraída em assembleia, é a de não voltarem ao trabalho os policiais em todas as suas funções, exceto os serviços do Instituto Médico-Legal (IML). Perdem a segurança os cidadãos, não fosse a Polícia Militar que está trabalhando, prendendo e soltando.

Há anos o Estado de Minas Gerais já poderia ter empreendido transformações em setores da Polícia Civil que tornariam seus custos mais econômicos, com notórios avanços nos resultados pelos quais a sociedade paga e dos quais espera melhor qualidade. A terceirização é um exemplo, e para recebê-la com grande destaque estão rotinas do Detran, setor já revolucionado em quase todo o país, sempre com vistas à melhoria da qualidade dos seus serviços, na ampliação da arrecadação, mas com economia para o cidadão dele dependente como motorista e/ou proprietário de veículos. Neste segmento, especialmente, vige uma cegueira histórica e inexplicável.

A maioria dos Estados da Federação está anos-luz à frente de Minas Gerais, onde, por exemplo, policiais civis que deveriam estar desempenhando funções por lei indelegáveis são ainda usados como responsáveis por rotinas menores, como as vistorias de veículos – hoje uma tarefa mecanicamente possível de sua realização com total segurança, prevenindo-se a ocorrência de fraudes que a imprensa incansável e cotidianamente denuncia. Não se pode deixar de evidenciar que a responsabilidade por grande parte desses crimes está relacionada à incúria de certos funcionários públicos, lamentavelmente policiais civis.

Claro, e que isso fique aqui registrado, na sua imensa maioria a Polícia Civil é feita de servidores de bom perfil, pessoal e profissional, exatamente o tipo que não se quer ver atingido por conceitos que se encaminham à sua universalização, marcando uma instituição e seus membros com rótulos de que ela poderia e precisa ser poupada.

O IPVA, depois do ICMS é a segunda fonte de arrecadação de Minas, onde a arrecadação está prejudicada pela greve da Polícia Civil, do Detran etc., o que constitui uma boa lembrança para quem, sentado em qualquer lado da mesa, quer discutir recursos, para ter e para gastar.

 

 

Fonte: Artigo veiculado pelo jornal O Tempo, pág 2, em 18.agosto.2020